quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Até quero falar

Quero dizer. 
Mas não sei como. 
 
A frase nasce inteira na cabeça. 
Quebra na garganta. 
Cai no silêncio. 
 
Você passa. 
E é como se o ar ficasse mais denso. 
Como se cada passo seu 
Me puxasse para um lugar onde não há chão. 
 
Meu peito arde. 
Meu corpo quer falar antes de mim. 
As mãos suam. 
O olhar denuncia. 
Mas a boca… não. 
 
Tenho medo. 
De estragar o que é puro só por tentar dizer. 
De reduzir o que sinto a algo menor 
Do que ele é dentro de mim. 
 
Então engulo. 
Respiro. 
Finjo que nada acontece. 
 
Mas acontece. 
Tudo acontece. 
Aqui dentro é avalanche, 
Incêndio, 
Tremor. 
 
E você nem imagina. 
Ou imagina. 
E finge não ver. 
 
Eu grito sem som. 
A cada vez que olho para você. 
E penso: 
"Se um dia eu falar, 
Não vai ser uma confissão. 
Vai ser um terremoto." 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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