Quero dizer.
Mas não sei como.
A frase nasce inteira na cabeça.
Quebra na garganta.
Cai no silêncio.
Você passa.
E é como se o ar ficasse mais denso.
Como se cada passo seu
Me puxasse para um lugar onde não há chão.
Meu peito arde.
Meu corpo quer falar antes de mim.
As mãos suam.
O olhar denuncia.
Mas a boca… não.
Tenho medo.
De estragar o que é puro só por tentar dizer.
De reduzir o que sinto a algo menor
Do que ele é dentro de mim.
Então engulo.
Respiro.
Finjo que nada acontece.
Mas acontece.
Tudo acontece.
Aqui dentro é avalanche,
Incêndio,
Tremor.
E você nem imagina.
Ou imagina.
E finge não ver.
Eu grito sem som.
A cada vez que olho para você.
E penso:
"Se um dia eu falar,
Não vai ser uma confissão.
Vai ser um terremoto."
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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