quarta-feira, 13 de maio de 2026

Um papel em branco

Estou diante de um papel em branco 
Esse deserto silencioso 
 Onde a alma hesita antes do primeiro passo. 
Minhas mãos desejam escrever, 
Mas não procuram palavras. 
Procuram vestígios teus. 

Minha mente vagueia pelos corredores da memória 
Tentando reencontrar os olhos 
Daquela que me faz viver 
Mesmo quando a noite pesa sobre meus ombros 
Como um inverno sem fim. 

Há amores que se tornam linguagem. 
Basta pensar neles 
E os versos começam a respirar sozinhos, 
Como se o coração abrisse lentamente 
Uma janela voltada para o infinito. 

É aí então que percebo. 
O papel nunca esteve vazio. 
Nele já existia tua ausência, 
Teu nome escondido entre silêncios, 
E essa saudade luminosa 
 Que insiste em florescer dentro de mim. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário