Existe uma canção perdida no escuro,
Presa entre paredes e fotografias,
Cantada por relógios sem futuro
E por noites longas, frias e vazias,
Onde o silêncio aprende a ser murmúrio.
Ela não fala de amantes abraçados,
Nem de promessas feitas ao luar,
Mas de caminhos nunca atravessados,
De mãos suspensas antes de tocar
E de afetos calados, sepultados.
Há nomes que morreram sem ternura,
Sem o calor de uma voz a florescer,
Ficaram como sombras na moldura
De um coração cansado de esquecer,
Guardando ausências como quem procura.
A solidão possui música secreta,
Feita de ecos, vento e despedida,
Uma melodia lenta e incompleta
Que atravessa as janelas desta vida
Como chuva antiga sobre um poeta.
E mesmo sem encontros ou chegada,
Essa canção insiste em permanecer,
Pois toda alma que sofreu calada
Transforma o próprio vazio em viver
E faz da dor uma estrela iluminada.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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