sábado, 11 de julho de 2026

O que ainda sou

Não me cabe desejar outro rosto 
Nem lamentar o homem que não me tornei 
Cada dia exige apenas minha presença 
O restante pertence ao curso das coisas. 
Governo o pensamento que nasce em mim 
Aceito o que escapa às minhas mãos 
E permaneço fiel à minha natureza. 

O mundo tentará dizer quem devo ser 
Mas sua voz não governa minha consciência 
Não combato o inevitável 
Nem entrego minha paz ao acaso. 
Retiro da alma tudo aquilo que é excesso 
Observo minhas fraquezas sem fugir 
E faço do domínio de mim minha tarefa. 

Não preciso construir um novo homem 
Há em mim uma essência a ser reencontrada 
O tempo apenas cobriu seus caminhos 
Cabe-me remover o medo e a aparência. 
Viver segundo aquilo que reconheço como justo 
Seguir sem aplausos e sem ressentimento 
E retornar em silêncio ao que sou. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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