quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Livros não se desesperam

 Quando ninguém mais deseja o que os livros oferecem, 
As estantes tornam-se jardins sem visitantes, 
E a poeira aprende os nomes dos autores esquecidos. 
As páginas permanecem abertas para o impossível, 
Mas os olhos passam apressados diante dos milagres. 
O mundo continua falando sem cessar, 
Enquanto a sabedoria aguarda em silêncio. 
 
Os livros guardam o fogo de muitas gerações, 
Vozes que atravessaram séculos para nos alcançar. 
Mas quem escuta apenas o ruído do instante 
Já não percebe o sussurro dos antigos viajantes. 
Assim, as perguntas tornam-se menores que os medos, 
E os horizontes encolhem sem que ninguém perceba, 
Como um rio que seca lentamente sob o sol. 
 
Ainda assim, os livros não se desesperam. 
Permanecem imóveis como velhas árvores, 
Oferecendo sombra a quem desejar repouso. 
Sabem que toda época produz seu próprio cansaço, 
E que toda alma, um dia, procura profundidade. 
Então aguardam, pacientes como as estrelas, 
O retorno daqueles que aprenderão novamente a ler. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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