domingo, 4 de outubro de 2026

A serenidade da noite

 É noite e o vento não consulta meus desejos antes de soprar. 
O rumor de germes insalubres atravessa a escuridão como um aviso da natureza. 
Meu coração aprende que nem toda batalha pode ser vencida pela força. 
Há acontecimentos que pertencem ao destino e outros que pertencem à escolha. 
Não posso governar o mundo, mas posso governar minha consciência. 
As pessoas não me escutam, e isso já não determina o valor da minha verdade. 
Basta-me permanecer íntegro diante do silêncio. 
 
A indiferença dos homens é semelhante à chuva que cai sobre justos e injustos. 
Quem espera reconhecimento torna-se prisioneiro das expectativas alheias. 
Quem cultiva a virtude encontra abrigo dentro de si mesmo. 
A noite não é inimiga daquele que conhece a própria luz. 
As palavras esquecidas pelo mundo ainda são testemunhas do caráter de quem as pronunciou. 
Aceito o que não posso mudar com a serenidade dos antigos sábios. 
E transformo cada dor em exercício de fortaleza. 
 
Quando a aurora vier, não pedirei que o universo seja diferente. 
Pedirei apenas que minha alma permaneça firme diante do que vier. 
Que a razão conduza meus passos antes que as emoções os precipitem. 
Que o coração devastado não se converta em coração amargo. 
Que eu saiba ouvir o silêncio sem me tornar vazio. 
Pois a verdadeira vitória não está em convencer os homens, mas em vencer a si mesmo. 
E essa conquista nenhuma noite poderá obscurecer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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