quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Algo inevitável

 Pense em mim como a noite fria sem lua, 
Quando a cidade contêm a respiração 
E o vazio se torna decreto. 
Pois é nesse deserto de luz que os signos se revelam 
E o coração aprende a temer o que deseja. 
 
Pense em mim como a noite em que o céu se negou ao brilho, 
E as ruas, abandonadas pelo tempo, aguardaram um sinal. 
Não houve estrelas, nem passos, nem cânticos; 
Houve apenas o aviso sutil de que tudo mudaria 
Antes mesmo da aurora despertar. 
 
Pense em mim como o inverno sem testemunhas, 
Quando o silêncio se torna sentença 
E o escuro reclama sua herança. 
Pois é na ausência de luz que a verdade desce, 
Como quem anuncia o preço da lembrança. 
 
Pense em mim como a vigília sem profetas, 
Quando os portões permanecem abertos 
Mas ninguém ousa atravessar. 
Então saberás que há mistérios que só respiram 
Na escuridão que não pede licença. 
 
Pense em mim como a noite que antecede o presságio, 
Quando a lua se esconde e o frio sela o pacto. 
E entenderás que algumas presenças 
Nascem justamente do que falta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário