Quando a cidade contêm a respiração
E o vazio se torna decreto.
Pois é nesse deserto de luz que os signos se revelam
E o coração aprende a temer o que deseja.
Pense em mim como a noite em que o céu se negou ao brilho,
E as ruas, abandonadas pelo tempo, aguardaram um sinal.
Não houve estrelas, nem passos, nem cânticos;
Houve apenas o aviso sutil de que tudo mudaria
Antes mesmo da aurora despertar.
Pense em mim como o inverno sem testemunhas,
Quando o silêncio se torna sentença
E o escuro reclama sua herança.
Pois é na ausência de luz que a verdade desce,
Como quem anuncia o preço da lembrança.
Pense em mim como a vigília sem profetas,
Quando os portões permanecem abertos
Mas ninguém ousa atravessar.
Então saberás que há mistérios que só respiram
Na escuridão que não pede licença.
Pense em mim como a noite que antecede o presságio,
Quando a lua se esconde e o frio sela o pacto.
E entenderás que algumas presenças
Nascem justamente do que falta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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