sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Te encontro onde não estás

 Ainda passo pelos lugares onde estavas 
Como quem espera um milagre cotidiano. 
Um vulto familiar na esquina, 
Um perfume antigo no vento, 
Um gesto teu em mãos estranhas. 
 
Mas tu não vens. 
E eu sei. 
Sempre soube. 
 
O tempo fechou a porta que eu deixei entreaberta, 
E agora ela range só por hábito, 
Como um coração que insiste 
Em bater por quem já partiu. 
 
Te procuro nas coisas pequenas. 
Numa música esquecida, 
Na sombra que o outono lança sobre a calçada, 
No silêncio exato entre duas palavras tristes. 
 
Às vezes sonho que volto a te ver, 
Mas é sempre de costas, 
Sempre indo, 
Sempre além do que posso tocar. 
 
Nos meus braços só o vazio. 
Na minha boca, o nome que não chamo mais. 
Mas que ainda sussurro, 
Como quem conversa com fantasmas 
E pede perdão por ter amado tarde. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Um comentário:

  1. Muito lindo e profundo, talvez o que se foi ainda grita dentro de ti pedindo para voltar.

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