quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Te vejo

 Te vejo, e o desejo se levanta, 
Feito chama que o olhar acende e guia; 
Na curva do teu gesto, a noite canta, 
E em teu silêncio arde a fantasia. 
 
Há nos teus olhos febre que me encanta, 
Um caos sereno em doce rebeldia; 
Loucura que seduz, que não se espanta, 
E em mim desperta a mesma ousadia. 
 
Eu sei do risco oculto no teu riso, 
Do abismo belo que me chama e quer, 
A queda suave em teu estranho aviso. 
 
Mas sigo, porque ao te ver, mulher, 
Prefiro o erro intenso e impreciso 
A nunca me perder no que tu és. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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