Com o peso das lembranças esquecidas.
Teu nome atravessou o silêncio
Como uma folha levada pelo vento,
E meu coração compreendeu
Que algumas despedidas
Nunca terminam.
A casa continua de pé,
Mas há janelas que nunca mais se abriram.
Os retratos envelheceram na parede,
O relógio insiste em caminhar,
E eu permaneço parado
Na última palavra
Que não consegui dizer.
Às vezes converso com a ausência.
Ela responde com ecos,
Com o perfume distante de um tempo feliz,
Com a sombra dos teus passos
Atravessando os corredores da memória.
Então descubro
Que a saudade também tem voz.
As noites tornaram-se longas,
Feitas de estrelas que já não iluminam.
O céu parece guardar segredos
Que nunca serão revelados,
Enquanto meus olhos procuram, em vão,
O brilho que encontravam
Nos teus.
Se algum dia o vento te alcançar,
Leva contigo este silêncio.
Ele nasceu do amor,
Cresceu na espera
E amadureceu na dor.
Pois há corações que continuam amando
Mesmo quando aprenderam a viver sozinhos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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