domingo, 4 de outubro de 2026

No lugar onde a saudade mora

 A tarde caiu sobre meus ombros 
Com o peso das lembranças esquecidas. 
Teu nome atravessou o silêncio 
Como uma folha levada pelo vento, 
E meu coração compreendeu 
Que algumas despedidas 
Nunca terminam. 
 
A casa continua de pé, 
Mas há janelas que nunca mais se abriram. 
Os retratos envelheceram na parede, 
O relógio insiste em caminhar, 
E eu permaneço parado 
Na última palavra 
Que não consegui dizer. 
 
Às vezes converso com a ausência. 
Ela responde com ecos, 
Com o perfume distante de um tempo feliz, 
Com a sombra dos teus passos 
Atravessando os corredores da memória. 
Então descubro 
Que a saudade também tem voz. 
 
As noites tornaram-se longas, 
Feitas de estrelas que já não iluminam. 
O céu parece guardar segredos 
Que nunca serão revelados, 
Enquanto meus olhos procuram, em vão, 
O brilho que encontravam 
Nos teus. 
 
Se algum dia o vento te alcançar, 
Leva contigo este silêncio. 
Ele nasceu do amor, 
Cresceu na espera 
E amadureceu na dor. 
Pois há corações que continuam amando 
Mesmo quando aprenderam a viver sozinhos. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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