E acreditam que o tempo é um senhor de verdades absolutas,
Mas apenas repetem o eco de uma mentira bem vestida.
Veem rugas onde há histórias,
Veem fim onde há transformação,
Veem atraso onde há silêncio fecundo,
E assim se perdem na superfície dos instantes.
O tempo passa, dizem, como se fosse um rio inevitável,
Mas esquecem que também somos água que sente o curso,
E não apenas margem que observa a fuga das horas.
Há quem viva aprisionado em calendários,
Como se a vida fosse uma soma de datas alinhadas,
E não um incêndio secreto ardendo fora da contagem,
Um sopro eterno escondido no breve.
Quem sabe seja preciso trair o tempo com delicadeza,
Fechar os olhos ao seu império de números e ciclos,
E reaprender a ver com a alma despida de pressa.
Pois o instante verdadeiro não se mede,
Ele se revela como um abismo luminoso,
Onde tudo é agora e nada se perde,
E o olhar, enfim, deixa de mentir para si mesmo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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