Os teus olhos falam antes do som,
Dizem o que o silêncio guarda,
Revelam o que a boca teme.
Neles, o tempo se curva,
Há memórias que ainda respiram,
Há segredos que ardem devagar.
Quando me olhas, o mundo se desfaz
Em um instante de verdade sem nome.
Nenhuma palavra alcança
O que o teu olhar confessa.
Há universos inteiros
Na distância entre um piscar e outro,
E é lá, nesse breve abismo,
Que eu aprendo o idioma do teu silêncio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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