quarta-feira, 13 de maio de 2026

Tormento

 Carrego em mim a dor como verdade, 
Um credo escuro que aprendi sozinho, 
Pois toda perda abriu em meu caminho 
A fria câmara eterna da saudade. 
 
Não tive mãos, nem voz, nem claridade, 
Somente o eco triste do vazio, 
E fiz da solidão meu desafio, 
Bebendo o fel cruel da realidade. 
 
Há uma ideologia no sofrimento, 
Quem sofre vê mais fundo a condição 
Dos sonhos que é levado pelo vento. 
 
Por isso guardo em meu próprio coração 
A fé amarga e muda do tormento, 
Como quem fez da dor sua oração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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