Como quem fecha uma porta devagar,
Sem olhar pela última vez para o quarto,
Sem recolher as coisas que ficaram,
Sem perguntar se ainda existe retorno.
Mas há noites em que meus braços doem
Pela ausência exata do seu corpo,
E tudo o que eu desejo é o impossível:
Sentir você perto de mim novamente,
Como se nunca tivéssemos partido.
Estou perdido entre duas vontades,
A de arrancar você das minhas lembranças
E a de guardar cada instante vivido,
Porque esquecer também parece uma perda,
Uma segunda despedida ainda mais cruel.
Minha razão pede distância e silêncio,
Enquanto meu coração inventa reencontros,
Imagina seus passos chegando até mim,
Seu olhar atravessando minhas defesas
E minha coragem desaparecendo outra vez.
Talvez eu permaneça assim por muito tempo,
Dividido entre partir e continuar esperando,
Querendo a paz de não sentir mais nada
E desejando, com tudo o que ainda sou,
Ter você nos meus braços mais uma vez.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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