sábado, 14 de fevereiro de 2026

Não tenho tempo a perder

 Não tenho tempo a perder. 
O relógio já não é objeto, é sentença. 
Cada segundo me cobra uma coragem 
Que ontem eu fingia possuir 
E hoje me falta como ar em peito aflito. 
 
Cansei das estradas que não levam, 
Dos “talvez” que se vestem de promessa, 
Dos planos que nascem com o vício da dúvida. 
Quero o chão firme das certezas possíveis, 
Mesmo que modestas, mesmo que breves. 
 
Já não negocio com miragens. 
Aprendi que a esperança também cansa 
Quando vive de hipóteses frágeis. 
Agora só me interessa o que respira realidade, 
O que aceita nascer imperfeito, mas verdadeiro. 
 
Não tenho tempo para ensaios eternos, 
Nem para o conforto morno das indecisões. 
Quero o risco lúcido das escolhas, 
A dignidade de tentar o que pode florescer, 
A paz severa de não mentir para mim mesmo. 
 
Se é para caminhar, que seja na mesma direção. 
Se é para sonhar, que haja matéria no sonho. 
Se é para esperar, que a espera construa. 
Pois o tempo, esse credor impiedoso, 
Não perdoa vidas adiadas. 
 
Sigo, menos ingênuo, mais atento: 
Não buscando garantias impossíveis, 
Mas aquilo que, apesar de tudo, 
Tem a rara e silenciosa vocação 
De dar certo. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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