sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ao monstro da ignorância

 Que estranho mal governa esta nação, 
Que faz da cor motivo de desprezo! 
Se o barro é um só na criação, 
Por que se ergue tamanho menosprezo? 
É vaidade, soberba e presunção. 
 
Diz o tolo: “Sou mais do que meu irmão”, 
E infla o peito em falso fundamento; 
Mas a morte, em sua justa condição, 
Reduz ao pó o rico e o opulento, 
Sem distinguir linhagem ou feição. 
 
Que vale a pele, clara ou escura, 
Se o vício habita o coração vaidoso? 
Não há cor que esconda a alma impura, 
Nem rosto belo torne alguém virtuoso; 
A honra não se mede pela figura. 
 
Ó mundo cego, de juízo escasso, 
Que troca a verdade pela aparência! 
O preconceito é um miserável passo 
De quem faz da ignorância sua ciência 
E da injustiça o compasso. 
 
Aprende, homem, antes que seja tarde: 
A carne é breve, e breve é a glória humana. 
Quem hoje ofende, amanhã arde 
Na mesma sorte que a todos irmana; 
Só a virtude permanece e não se evade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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