Que faz da cor motivo de desprezo!
Se o barro é um só na criação,
Por que se ergue tamanho menosprezo?
É vaidade, soberba e presunção.
Diz o tolo: “Sou mais do que meu irmão”,
E infla o peito em falso fundamento;
Mas a morte, em sua justa condição,
Reduz ao pó o rico e o opulento,
Sem distinguir linhagem ou feição.
Que vale a pele, clara ou escura,
Se o vício habita o coração vaidoso?
Não há cor que esconda a alma impura,
Nem rosto belo torne alguém virtuoso;
A honra não se mede pela figura.
Ó mundo cego, de juízo escasso,
Que troca a verdade pela aparência!
O preconceito é um miserável passo
De quem faz da ignorância sua ciência
E da injustiça o compasso.
Aprende, homem, antes que seja tarde:
A carne é breve, e breve é a glória humana.
Quem hoje ofende, amanhã arde
Na mesma sorte que a todos irmana;
Só a virtude permanece e não se evade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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