A cidade permanecia indiferente.
O silêncio não oferecia respostas.
Apenas devolvia o som dos meus próprios passos.
Foi então que percebi que eu também era uma pergunta.
Imaginei que sua ausência explicaria a minha dor.
Mas nenhuma ausência explica uma existência.
Somos lançados ao tempo sem mapas.
Cada escolha abre um caminho e fecha muitos outros.
Resta apenas a responsabilidade de continuar.
Olhei para o céu esperando um sinal.
As estrelas permaneceram distantes.
O universo não prometeu sentido.
Coube a mim enfrentar o vazio
Sem transformá-lo em desespero.
Compreendi que procurar você
Era também procurar quem eu havia sido.
Ninguém retorna ao instante que passou.
A memória conserva rostos,
Mas não restitui o que o tempo levou.
Hoje caminho sem esperar respostas definitivas.
Aceito que viver é atravessar incertezas.
A liberdade pesa tanto quanto liberta.
Ainda assim, escolho seguir.
E essa escolha dá forma ao meu existir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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