sábado, 12 de setembro de 2026

Cada beijo imaginado

 Seus lábios são um labirinto sem mapa, 
E neles meus instintos procuram abrigo. 
Talvez o desejo seja apenas uma forma 
De adiar o silêncio que me habita. 
Ou talvez seja o silêncio quem me deseja. 
 
Entre o querer e o não poder, existo. 
Cada beijo imaginado é uma pergunta 
Que o mundo jamais soube responder. 
Somos corpos lançados ao acaso, 
Inventando sentidos para continuar. 
 
O desejo não absolve nem condena; 
Apenas revela o abismo que carregamos. 
Busco em sua boca uma resposta, 
Mas encontro apenas o reflexo 
Da minha própria incompletude. 
 
Se amar é perder-se em outro ser, 
Então toda paixão é um ato de vertigem. 
Não há destino escrito para nós, 
Somente escolhas que se tornam memória 
E memórias que insistem em escolher-nos. 
 
Quando seus lábios enfim se calam, 
O universo continua indiferente. 
Resta-me aceitar que viver é caminhar 
Por labirintos sem saída definitiva, 
Fazendo do desejo uma breve resistência ao vazio. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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