sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Os dias com esperança

 Depois de tantos dias imóveis e cinzentos, 
Comecei a ouvir novamente o vento nas árvores. 
Havia ainda um rumor de vida escondido 
Entre as rachaduras profundas do meu silêncio. 
Percebi que até a noite mais longa do mundo 
Guarda, em algum lugar secreto do horizonte, 
A lenta e inevitável chegada da manhã. 
 
Eu, que já havia desistido dos caminhos, 
Voltei a recolher pequenos sinais da existência: 
Um pássaro atravessando o céu sem medo, 
A chuva lavando antigas dores da janela, 
O sorriso simples de alguém na rua vazia. 
Descobri que a esperança não faz barulho; 
Ela apenas permanece, mesmo ferida. 
 
Agora caminho devagar, mas caminho. 
Trago cicatrizes onde antes havia abismos, 
E já não temo tanto os invernos da alma. 
Aprendi que sobreviver também é florescer, 
Mesmo quando o coração renasce em ruínas. 
Porque dentro de cada ser perdido no escuro 
Há sempre uma luz esperando ser encontrada. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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