Comecei a ouvir novamente o vento nas árvores.
Havia ainda um rumor de vida escondido
Entre as rachaduras profundas do meu silêncio.
Percebi que até a noite mais longa do mundo
Guarda, em algum lugar secreto do horizonte,
A lenta e inevitável chegada da manhã.
Eu, que já havia desistido dos caminhos,
Voltei a recolher pequenos sinais da existência:
Um pássaro atravessando o céu sem medo,
A chuva lavando antigas dores da janela,
O sorriso simples de alguém na rua vazia.
Descobri que a esperança não faz barulho;
Ela apenas permanece, mesmo ferida.
Agora caminho devagar, mas caminho.
Trago cicatrizes onde antes havia abismos,
E já não temo tanto os invernos da alma.
Aprendi que sobreviver também é florescer,
Mesmo quando o coração renasce em ruínas.
Porque dentro de cada ser perdido no escuro
Há sempre uma luz esperando ser encontrada.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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