sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Aquela velha história sempre tão mal contada

Vacilastes com seus próprios pés 
O leite foi derramado 
Nem adianta chorar lágrimas de crocodilos 
E abrir os olhos na escuridão 
Porque agora já era. 
 
Aquela velha história sempre tão mal contada 
Faz parte de subterfúgios esdrúxulos 
Que nem vale a pena ficar lembrando. 
 
Enganas o incauto, o ingênuo 
Puxa o tapete dos imbecis 
Que vivem a lhe bajular. 
 
Às águas do rio estão a secar 
E os transeuntes tropicam nos paralelepípedos 
Que se soltam com o tempo 
E os ipês estão floridos 
Porque chegou a primavera. 
 
Houve um tempo não tão distante na memória 
Que as mulheres conversavam nas janelas 
E as crianças brincavam de pega-pega nas calçadas 
Os carroceiros meneiam a cabeça 
Como se o mundo pertencesse a eles. 
 
Um homem esbraveja na vendinha da esquina 
E os cachorros latem 
Na captura de um gato que se esconde no jirau 
Encoberto pelas folhas do maracujá 
Nos dias de sol 
Apenas mais uma velha história mal contada 
Que não quero nem saber 
O final. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário