Dos dias largos, livres de razão,
Em que viver não pedia consciência,
E o riso era a própria explicação.
O tempo ali corria sem urgência,
Não havia o peso da previsão,
Cada instante era plena existência,
Sem medo oculto ou desilusão.
Mas hoje a lembrança me visita,
Como um sussurro vindo do passado,
Trazendo a paz que o tempo limita.
E no silêncio manso, resignado,
Entendo: a felicidade era bendita
Por ser um sonho não questionado.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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