segunda-feira, 13 de julho de 2026

Quem não lê

Há um silêncio pesado em quem não lê, 
Um mundo estreito, quase sem horizonte, 
Ideias repetidas como ecos cansados, 
Certezas duras que nunca foram pensadas, 
Olhos que veem, mas não atravessam, 
Mentes que aceitam sem interrogar, 
Vidas que passam sem realmente compreender. 

Não ler é andar por caminhos já traçados, 
Sem suspeitar que há outras direções, 
É viver preso ao imediato e ao raso, 
Sem mergulhar no abismo do pensamento, 
É confundir opinião com verdade, 
É temer a dúvida como se fosse fraqueza, 
E nunca perceber o tamanho da própria ignorância. 

Quem não lê se limita sem perceber, 
Carrega muros onde poderia haver pontes, 
Repete o mundo, mas não o transforma, 
Escuta vozes, mas não dialoga com elas, 
Perde a chance de ser mais do que é, 
De expandir a alma além do costume, 
E de reinventar a si mesmo em silêncio. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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