domingo, 13 de setembro de 2026

A mão que escreve

 As sombras visitam minha mente à noite, 
Trazendo formas que não posso explicar. 
Não discuto com aquilo que não controlo; 
Apenas observo suas passagens silenciosas 
Como quem contempla nuvens sobre o rio. 
 
Às vezes imagino monstros sem nome, 
Ou talvez eles imaginem a mim. 
Mas pouco importa a origem do medo 
Quando o dever permanece o mesmo: 
Manter firme a mão que escreve. 
 
A razão é uma pequena chama, 
Não capaz de expulsar toda a escuridão, 
Mas suficiente para indicar o caminho. 
Com ela atravesso os corredores da dúvida 
Sem exigir certezas do mundo. 
 
Se a paranoia me oferece fantasmas, 
Transformo-os em palavras e imagens. 
Se a imaginação me oferece abismos, 
Aprendo a medir seus contornos. 
Tudo pode servir à obra e ao aprendizado. 
 
Sigo entre o mistério e a lucidez, 
Aceitando os limites da minha compreensão. 
Nem tudo o que vejo precisa ser verdade, 
Nem tudo o que temo merece domínio. 
Basta-me criar e continuar caminhando. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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