sábado, 10 de outubro de 2026

Quando o sol beija o horizonte

 O pôr do sol não se despede do dia, 
Ele o transforma em memória. 
É o instante em que a luz aprende a morrer 
Sem perder a beleza. 
O céu, em chamas lentas, 
Parece confessar segredos antigos 
Em tons de ouro, sangue e silêncio. 
Cada cor é um suspiro do tempo, 
Cada sombra, uma promessa de descanso. 
Diante dele, o mundo abranda. 
As dores diminuem o peso, 
Os pensamentos caminham descalços, 
E até o coração, cansado de urgências, 
Aprende a esperar. 
O sol se inclina como quem agradece, 
Beija o horizonte 
E deixa no ar a certeza de que 
Tudo o que é belo 
Sabe partir no momento exato. 
E nós, pequenos sob esse espetáculo, 
Entendemos, ainda que por segundos, 
Que existir também é saber desaparecer 
Com dignidade, 
Pintando o fim com luz e esperança. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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