quarta-feira, 14 de abril de 2021

Um amor tão impossível

Na triste solidão do meu peito 
Sinto falta de um grande amor 
Seria bom se conseguisse tirar 
Do meu pensamento essa dor. 
 
Pergunto-me por que eu quis 
Viver um amor assim tão impossível 
Só soube que sofreria tanto 
Quando percebi que és inesquecível. 
 
Hoje tenho apenas uma saudade 
Daquele tão lindo olhar 
Que por ti me fez apaixonar... 
 
Só desejo encontrar a felicidade 
Para dar paz ao meu coração 
Preciso que o tire dessa solidão! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 13 de abril de 2021

A ideia tola de escrever um livro

Havia uma sensação de desconforto 
Que seria rasgada pela luz 
Embora as janelas e cortinas 
Ficassem sempre fechadas 
Aquele lugar dava arrepios aos despreparados! 
Contam-nos mentiras 
Como as de que sapos viram príncipes... 
Eu só queria ser surpreendido pela alegria 
E não viver em outro lugar que não fosse o Céu 
Mas, tenho que lutar contra o mal 
Até a morte 
Para não sucumbir ao Inferno. 
Por algum momento até penso 
Que não passo de uma sombra fria 
Uma coisa horrível que não deveria existir 
Mas o medo de mim mesmo 
É a pior forma de horror. 
"Afasta de mim estes pensamentos" 
Exclama o poeta em sua angústia 
Porque não quer viver no esquecimento 
Apenas ver o azul do infinito 
Nos olhos singelos de uma donzela. 
Basta tudo isso aqui 
Vamos voar para o além 
Muito acima das estrelas 
Eu só estava com uma ideia tola 
De escrever um livro. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Não tenho medo

No mundo tereis aflições 
Pois este mundo é mal 
Mas, aquele que tem Jesus 
Sempre anda na luz 
E proteção tem no final. 
 
Não tenho medo do mundo 
Não temo nem um perigo 
A graça de Deus me basta 
Não temerei nenhuma casta 
Pois, Jesus sempre está comigo. 
 
O temor é o mal do século 
De um mundo inseguro 
Falta paz e segurança 
Até mesmo para uma criança 
Sem esperança de futuro. 
 
Só com Jesus temos paz 
Só Ele é nossa proteção 
Não temas as tempestades 
Nem mesmo as potestades 
Pois, Jesus segura em sua mão. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 11 de abril de 2021

Meu lado sombrio

Pegue essas asas feridas 
Ouça o barulho rompendo o silêncio 
Vasilhas nas paredes são jogadas 
Cabelos arrancados 
Uma fúria incontrolável 
Tu és brisa 
Sou tempestade. 
Por que simplesmente não podemos 
Dar as mãos? 
Aprenda a voar de novo 
Esqueça o meu lado sombrio 
Podemos pegar o que estava errado 
E fazer o certo acontecer. 
Que saudade não confunde a mente? 
Que ausência não é sentida? 
Sinto a fúria do vento 
Quando não lembro o que aconteceu 
Meu lado sombrio 
Ainda não aprendeu a ser livre 
Quando ouvirmos as vozes cantarem 
Estarei em outra dimensão 
Então pegue em minhas mãos 
E aprenda a voar de novo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 10 de abril de 2021

Pedaços de emoção

Sento-me em um canto 
Ouço o silêncio 
Deixo o pensamento viajar 
Olho para um quadro 
Na tela vejo o horizonte... 
 
O olhar busca o infinito 
Nas nuvens está o pensamento 
As lembranças daquele olhar 
Para mim tão bonito 
Que costura o meu coração 
Em pedaços de emoção... 
 
Poeta: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Vejo o Rio Paraguai que desliza

Nunca vi uma manhã brilhante 
Que não tenha trazido chuva mais tarde. 
Na infância disseram-me 
Que se eu fosse um bom menino... 
Seria feliz!
Nunca em minha vida 
Senti-me tão infeliz! 
Sento-me na beira do cais 
E vejo o Rio Paraguai que desliza 
E lembro-me de Tântalo 
Sentenciado a não poder saciar a sua fome 
Nem sua sede 
E isso por toda a eternidade. 
 Pode existir pior destino que este? 
Antever o Apocalipse 
Ou sentir-se exilado 
Como se estivesse sentenciado 
Pelo temor da condenação eterna. 
Eu não tinha pensado nisso antes 
Por isso não tenho nenhum outro plano 
Que não seja sobreviver! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Só mais uma vez...

Só mais uma vez 
Eu procuro te amar 
Degusto tuas formas 
E com você posso sonhar... 
 
Só mais uma vez 
Eu busco em seu olhar 
O prazer de sentir 
Permito te encontrar... 
 
Só mais uma vez 
Entrego-me por inteiro 
Ao amor que vejo 
Ao sentimento verdadeiro... 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Terra do pecado

Estás a afundar em lágrimas 
A fome despertada 
O cheiro das ruas 
Ou das casas luxuosas? 
Tudo é escuro lá fora 
Um pedinte na calçada 
Ou no semáforo 
Com uma placa no pescoço. 
Solidão de uma sociedade 
Decadência de uma infância 
Das crianças 
Que não soltam mais suas pipas. 
Olha as campinas de Sodoma 
Beijos lésbicos na TV 
Víboras que se contorcem 
Em busca de ratos nos esgotos. 
Terra do pecado 
Além das campinas verdejantes 
Não se ouve mais o lamento 
Daqueles que já não querem voltar. 
Fecha os olhos 
Contempla só uma luz no final 
Quando nem tudo acabou 
É apenas uma introspecção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

As palavras no mundo

Será que todas as aves nascem dos ovos? 
Tudo é ilusão 
E eu sinto saudades 
De um lugar que eu nem conheço 
Vi uma mulher idosa 
Que cuidava de gatos de rua 
Foi quando me perguntei: 
- Como seria não ter um nome? 
Comprei livros e mais livros 
Ajuntei-os em uma pilha 
E alguns eu nem consegui ler 
Foi quando descobri um galho 
Que afundou até o fundo de um lago. 
Tudo isso que vejo agora 
São as palavras no mundo. 
Não precisa estar em um lugar diferente 
Precisa é ser uma pessoa diferente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 6 de abril de 2021

Paleolítico

Durante um longo período 
Milhares de anos 
O que sei fazer é andar 
Coletar frutos, 
Grãos e raízes para me alimentar... 
Algumas vezes caço ou pesco 
Sou nômade 
E procuro sobreviver 
Aprendi a confeccionar instrumentos 
De madeira, de ossos e de pedra. 
Descobri o fogo 
E o quanto ele é essencial para minha sobrevivência. 
O fogo me ajuda a vencer 
O frio e a fome. 
Não sou incapaz na criação 
Desenvolvo uma cultura responsável 
Figuras entalhadas em pedra 
E pinturas gravadas nas paredes das cavernas 
Mostrarão que sou eu 
O homem 
Do Paleolítico. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Não sei se vou me acostumar

Momentos de grandes alegrias 
Via-se em seus olhos 
E podia se ouvir o som do vento 
Que levantava os seus cabelos 
E eu amava cada detalhe do seu sorriso. 
 
Tudo se vai no romper da aurora 
Na minha vida 
Conheci uma triste ilusão 
Quando você deixou o meu coração 
A sofrer na noite fria. 
 
Não sei se vou me acostumar 
Com essa solidão 
Que tira da minha alma 
A vontade de amar outra vez. 
 
Já não ligo para nada 
Quando tornou-se sem sentido 
A solidão que sinto agora 
No vazio da minha vida 
Sem você! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 4 de abril de 2021

Uma breve canção à amizade

Abre os braços e um largo sorriso 
E é tão bom o seu aconchego delicado; 
Compartilha seus segredos quando preciso 
E dá bons conselhos sempre dedicado. 
 
Canto em versos a sua amizade 
O carinho que sempre tens na alma; 
Mesmo na dor demonstra a felicidade 
No sorriso de profunda calma. 
 
Amizade que em todas as horas posso contar 
Como é bom ter a sua sincera amizade 
Em paz caminho pela eternidade. 
 
Em tuas mãos seguro posso confiar 
Porque tens um puro coração 
E à sua amizade dedico essa canção. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 3 de abril de 2021

Ao derramar poeira de luto na cabeça

Por dias e noites seguidas 
As idosas não contiveram os gritos 
Os anciões lamentavam 
As jovens arrancaram os cabelos 
Ouvia-se o som das flautas 
Homens chorando e mulheres 
Sem motivos para sorrir 
Ao derramar poeira de luto na cabeça 
Garras nos seios 
Garras nos olhos 
Sangue nas veias 
Por dias e noites intermináveis 
Prantearam e enterraram seus mortos 
E muitos ficam estendidos pelo chão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 2 de abril de 2021

A reflexão do último dia da existência não absoluta do mortal

Olhou mais uma vez para a imagem a sua frente. 
Sentia que essa poderia ser a última vez que seus olhos vislumbraria tal imagem. 
Não fazia a mínima ideia do que haveria do outro lado. 
Tudo não passava de teorias. 
Afinal, ninguém havia voltado do outro lado para contar o que lá havia. 
Desejava muito ter mais tempo. 
Não queria viver para sempre. 
Nunca imaginou isso. 
A imortalidade o assustava. 
Já não suportava nem mais um dia nesta vida miserável. 
 
Lembrou de seus dias antigos. 
Os tempos de crianças quando corria atrás das borboletas e jogava pedras nos pássaros para vê-los voando. 
Esse sim era um tempo que desejava que não tivesse passado. 
Quem dera pudesse viver a infância infinitamente. 
Os adultos são ingratos e imbecis. 
São todos sem compaixão. 
Egoístas e miseráveis. 
Lobos do próprio homem. 
E nunca gostaria de ser como eles. 
Mas sentia-se como o pior de todos os mortais. 
Tudo é uma ilusão neste mundo tenebroso. 
 
Ainda podia ver aqueles lindos olhos. 
Com certeza eram os mais lindos que já vira em sua vida. 
E foi ali que tudo desmoronou. 
Sabia disso. 
Aqueles olhos foram a sua perdição. 
Talvez pudesse seguir outros caminhos se não tivesse deixado eles penetrarem e dominarem seu coração. 
A partir daquele olhar seus pensamentos tornaram-se prisioneiro dela para sempre. 
E tudo não passou de mais uma grande ilusão. 
Amou-a como se fora a única mulher no planeta. 
Ela não sentiu a mesma coisa. 
Gosto muito de você , disse-lhe um dia, mais é só isso. 
Um carinho. 
Isso foi como um punhal a rasgar o seu coração. 
 
Cada vez que via um andarilho pelas ruas ou uma criança abandonada pelos pais seu coração sangrava. 
Onde está a humanidade das pessoas? 
Sentia o frio das madrugadas e os espinhos do caminho. 
Ninguém se importava com seus gritos. 
Ninguém ouvia o seu pedido de socorro. 
Ninguém se importava. 
Por que, então, deveria se importar com alguém? 
Imaginava, em seus sonhos, o mundo sendo destruído por fogo. 
As chamas cobriam toda a terra. 
Animais desesperados correndo de um lugar para outro. 
Gente gritando desesperadas. 
Mas de nada adiantava. 
O fogo fazia uma limpeza total. 
Não ficou nem raiz nem ramo que não fosse destruído. 
Acordou do sonho com o corpo coberto de suor. 
Podia torcer os lençóis se quisesse. 
Ficou aborrecido porque lá fora ainda podia ver as folhas sendo carregadas pelo vento da manhã. 
 
Definitivamente perdeu todas as suas esperanças. 
Sabia que nada poderia fazer para mudar aquela situação. 
Ninguém notaria sua ausência. 
Sentia-se um nada em meio ao infinito. 
Poderia deixar essa vida e seria apenas mais um indigente sem identificação. 
Que diferença isso faria para a humanidade? 
Quantas pessoas já nasceram e morreram ao longo da existência humana e ninguém se importa. 
O mundo continuará a existir assim que parar de respirar. 
Já existia quando chegou aqui. 
Continuará a existir assim que se for. 
 
Fechou os olhos outra vez. 
Sua mente estava muito confusa. 
Afinal, que escuridão era essa? 
O limbo existencial ou o fim de tudo que sua mente insana viu ou ouviu um dia. 
Sente as garras afiadas de seus condutores. 
Ou são asas? 
A visão é ofuscada pela linha tênue da vida e morte. 
Onde está o barqueiro para me conduzir pelo rio da eternidade? 
Meu coração será pesado na balança? 
Já cheguei no paraíso? 
Tudo está em silêncio agora. 
Embaixo de uma árvore as folhas são levadas pelo vento até pousar suavemente no rosto bucólico de uma pessoa. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Nos jardins secretos da alma

Foi numa noite de grande escuridão 
Que eu penetrei de forma profana 
Nos sagrados jardins secretos da alma 
Que escondia consigo os maiores mistérios 
Dos amores perdidos no tempo da solidão. 
 
Em meio ao solo tenebroso e irregular 
Eu pude ver as almas daqueles que lamentavam 
Os amores perdidos com o tempo 
Por causa de atitudes mesquinhas 
E decisões precipitadas que os fazem chorar. 
 
Amparado pelos braços seguros de meu guia 
Caminhava em meio as flores do jardim 
No silêncio das paisagens podia ver 
As borboletas com nomes eternos voarem 
E um sol de cor amarelada clarear o dia. 
 
Sabia eu que existia ali um jardineiro invisível 
Alguém que cuidava dos corações feridos 
Que regava as esperanças perdidas no tempo 
Fazendo surgir outras flores no lugar 
Que outrora arrancaram os brotos do amor sensível. 
 
Eu vi junto a fonte que a vida acalenta
Raios de esperança que rompiam à distância 
E levava além do horizonte distante 
Em seus braços iluminados pela luz 
O verdadeiro amor que a todos sustenta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense