O céu se deita em brasas e ouro velho;
O sol, cansado, inclina-se enfim,
Bordando fogo no silêncio vermelho.
Respira a terra em húmus e jasmim,
Enquanto a tarde afunda sem conselho;
E o vento escreve em ondas de capim
Segredos fundos de um antigo anelo.
À tona, imóveis como a própria lei,
Repousam jacarés, olhos de tempo,
Guardando a luz que morre sem ruído.
O dia cede ao sono que já sei,
E o Pantanal, em místico acalento,
Acende estrelas no horizonte diluído.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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