domingo, 15 de fevereiro de 2026

Pantanal

 No espelho lento das águas sem fim, 
O céu se deita em brasas e ouro velho; 
O sol, cansado, inclina-se enfim, 
Bordando fogo no silêncio vermelho. 
 
Respira a terra em húmus e jasmim, 
Enquanto a tarde afunda sem conselho; 
E o vento escreve em ondas de capim 
Segredos fundos de um antigo anelo. 
 
À tona, imóveis como a própria lei, 
Repousam jacarés, olhos de tempo, 
Guardando a luz que morre sem ruído. 
 
O dia cede ao sono que já sei, 
E o Pantanal, em místico acalento, 
Acende estrelas no horizonte diluído. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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