Feito inverno preso dentro do pensamento,
Até que as palavras romperam o silêncio
Como rios escuros procurando o mar
No interior cansado do meu corpo.
Cada frase queimava antigas impurezas,
Lavando os corredores da mente fatigada;
Os medos fugiam pelas frestas da consciência,
E os fantasmas que habitavam meus olhos
Perdiam seus nomes diante da escrita.
Há palavras que respiram como essência,
Circulam pelas veias como luz febril,
Erguem pontes onde havia abismos
E devolvem ao homem despedaçado
A coragem esquecida de existir.
Os hospedeiros indignos se contorcem,
Alimentados pela mentira e pela apatia,
Mas a mente desperta aprende a expulsá-los
Quando o pensamento se torna lâmina
A a poesia desinfeta a escuridão.
Escrevo para não apodrecer em silêncio,
Para que o vazio não faça morada definitiva,
Para que minha alma continue incendiada
Por essa linguagem que pulsa viva
Como sangue eterno dentro da noite.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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