sexta-feira, 15 de maio de 2026

Hospedeiros indignos

O vazio caminhava lento em minhas artérias, 
Feito inverno preso dentro do pensamento, 
Até que as palavras romperam o silêncio 
Como rios escuros procurando o mar 
No interior cansado do meu corpo. 

Cada frase queimava antigas impurezas, 
Lavando os corredores da mente fatigada; 
Os medos fugiam pelas frestas da consciência, 
E os fantasmas que habitavam meus olhos 
Perdiam seus nomes diante da escrita. 

Há palavras que respiram como essência, 
Circulam pelas veias como luz febril, 
Erguem pontes onde havia abismos 
E devolvem ao homem despedaçado 
A coragem esquecida de existir. 

Os hospedeiros indignos se contorcem, 
Alimentados pela mentira e pela apatia, 
Mas a mente desperta aprende a expulsá-los 
Quando o pensamento se torna lâmina 
A a poesia desinfeta a escuridão. 

Escrevo para não apodrecer em silêncio, 
Para que o vazio não faça morada definitiva, 
Para que minha alma continue incendiada 
Por essa linguagem que pulsa viva 
Como sangue eterno dentro da noite. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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