segunda-feira, 13 de julho de 2026

Como se a noite soubesse o meu nome

Nas caladas do silêncio noturno 
O mundo é um lugar estranho agora 
As ruas parecem guardar segredos 
E meus passos seguem desconfiados 
Como se a noite soubesse meu nome. 

Olho as janelas ainda acesas 
Imagino vidas acontecendo lá dentro 
Enquanto carrego meus pensamentos 
Por caminhos que já foram familiares 
Mas hoje não reconhecem minha presença. 

Há alguma coisa diferente no tempo 
Uma ausência escondida nas horas 
Um vazio ocupando antigas certezas 
E essa sensação quase inexplicável 
De ter chegado tarde à própria vida. 

Talvez o mundo continue o mesmo 
Com suas manhãs e seus ruídos 
Talvez meus olhos tenham mudado 
Depois de contemplarem tantas despedidas 
E aprenderem o peso das lembranças. 

Nas caladas do silêncio eu caminho 
Sem procurar respostas definitivas 
Apenas tentando compreender a noite 
Porque o mundo é um lugar estranho agora 
E eu também me tornei estranho para ele. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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