Nem confundo quantidade com verdade,
Há estradas lotadas que conduzem ao vazio,
E caminhos silenciosos que guardam horizontes,
Onde poucos chegam porque poucos ousam pensar.
O medo caminha no meio da multidão,
Agarra-se às certezas que todos repetem,
Teme a solidão de uma escolha diferente,
E chama de loucura aquilo que não compreende,
Porque é mais fácil seguir do que questionar.
A sabedoria, porém, olha mais longe,
Não pergunta quantos seguem, mas para onde,
Ergue os olhos além da poeira da estrada,
Escuta o silêncio antes de dar o próximo passo,
E prefere uma direção certa a mil passos apressados.
Sei que preciso caminhar sozinho,
Quando todos correm para o mesmo precipício,
Porque a coragem é permanecer de pé
Quando o mundo inteiro escolhe correr,
E dizer não quando todos dizem sim.
Pois nem sempre o caminho mais cheio é o certo,
Nem toda voz unida revela a verdade,
Há momentos em que pensar é resistir,
Olhar adiante é uma forma de sabedoria,
E caminhar sozinho pode ser o começo da liberdade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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