Em meio ao ruído de um mundo apressado,
Olhos que escondem perguntas profundas,
Corações que aprenderam a sorrir
Mesmo quando por dentro desabam.
Por que não nos importar com eles,
Se amanhã caminhará sobre seus passos?
Cada palavra que lançamos hoje
Pode ser ponte ou abismo,
Semente ou cicatriz.
Há uma geração crescendo depressa,
Carregando sonhos que não sabemos ouvir,
Feridas que ninguém ensinou a nomear,
Medos escondidos atrás das telas
E silêncios maiores que suas próprias vozes.
Não basta condenar seus caminhos,
É preciso perguntar onde se perderam;
Não basta apontar seus erros,
É preciso olhar os destroços
E lembrar que também são vidas.
Porque uma geração não se perde de uma vez,
Perde-se aos poucos, quando deixamos de olhar;
E talvez cuidar de um jovem hoje
Seja salvar um pedaço do amanhã
Antes que o futuro aprenda a viver sem esperança.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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