Ele me chama
Como o mar chama os náufragos,
Com promessas de repouso,
Com segredos de afogamento.
Deixo que me encontre,
Que percorra em mim
Os lugares onde o silêncio dorme.
Cada curva tua é um convite,
Cada olhar, uma vertigem.
Agora compreendo que
Não se luta contra o destino
Que vem em forma de boca,
Nem contra a paz que tem gosto de abismo.
Quando me tocas,
Não é pele o que se move,
É memória,
É tudo o que fui, desfeito,
Para caber no instante.
E se houver fim, que seja
Com o coração rendido,
E o corpo entregue
Ao feitiço que começou no teu sorriso.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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