domingo, 23 de março de 2025

O paradoxo da existência

Há uma voz que ecoa no silêncio, 
Grita nas sombras, mas ninguém a escuta. 
É o canto da verdade amarga, 
O lamento dos invisíveis, 
O verbo esquecido antes de ser dito. 
 
O poeta vê o tempo ao contrário, 
Sente o amanhã como quem lê as veias do vento. 
Cada palavra escrita é um destino moldado, 
E no caos da metáfora, 
Um mundo nasce antes de existir. 
 
O fim não tem pressa, 
Não se dobra aos caprichos da vontade. 
Mesmo quando enterramos as memórias, 
Elas florescem sob a terra, 
Teimando em ser eternas. 
 
O vento sopra e sopra outra vez, 
Como um sonho inalado pelo divino. 
Seus dedos invisíveis tocam a pele do mundo, 
Viciados em movimento, 
Inebriados pela dança do eterno. 
 
A simplicidade de existir é um paradoxo: 
Tão leve quanto o vento que dança, 
Tão densa quanto o silêncio que pesa. 
Ser é um ato tão natural quanto respirar, 
Mas a consciência nos enreda em labirintos 
Onde buscamos significados 
Para aquilo que já é inteiro. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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