O que será de nós
Quando o amanhã nos encontrar desprevenidos?
Talvez sejamos apenas silêncio,
Com as mãos ainda cheias de planos inacabados.
Talvez descubramos, tarde demais,
Que a vida nunca foi feita
Para caber nos nossos cálculos.
O amanhã não bate à porta.
Ele chega como o vento,
Abrindo janelas que esquecemos de fechar.
E então estaremos ali:
Com as palavras que não dissemos,
Os abraços que adiamos,
Os sonhos guardados
Como roupas para uma estação que nunca veio.
O amanhã nos encontra sempre assim,
Um pouco distraídos,
Um pouco esperançosos,
Um pouco humanos demais.
Mas talvez não seja uma tragédia.
Porque quem vive preparado demais
Quase nunca vive de verdade.
Mas pode ser que,
Quando o amanhã finalmente nos alcançar,
Ele não nos peça certezas,
Apenas coragem.
Coragem para continuar
Mesmo sem saber o que será de nós.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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