terça-feira, 14 de julho de 2026

Quando o último dia vier

Não herdei um caminho pronto. 
Recebi apenas o silêncio das possibilidades. 
Cada escolha apaga outras vidas possíveis. 
Ainda assim, permaneço responsável. 
Não há como delegar a própria existência. 

Os dias não oferecem respostas. 
São páginas que esperam uma decisão. 
O medo veste a máscara da prudência. 
A esperança, a da incerteza. 
Caminho entre ambas. 

Há quem prefira o abrigo das pequenas expectativas. 
Ali o fracasso parece menor. 
Mas também diminui a alegria do encontro. 
Viver pouco para sofrer pouco 
É uma forma lenta de ausência. 

O horizonte não me promete chegada. 
Ele apenas se afasta quando avanço. 
Talvez seu sentido seja esse. 
Ensinar que a vida não cabe no destino, 
Mas no movimento de buscá-lo. 

Quando o último dia vier, 
Quero reconhecer meus próprios passos. 
Não por terem sido perfeitos, 
Mas porque foram escolhidos por mim. 
E nisso reside toda a minha liberdade. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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