terça-feira, 18 de agosto de 2026

O peso da escolha

 Se um dia quebrarem teu coração, não voltes. 
A dor pertence ao tempo que a gerou. 
Não me peças para carregar teu fardo. 
Cada escolha conduz ao seu destino. 
Aceita o caminho que escolheste. 
 
Não lamento o que não pude governar. 
Só me pertence o governo da minha alma. 
O afeto sem prudência torna-se prisão. 
A serenidade vale mais que o arrependimento. 
Por isso permaneço onde estou. 
 
Não recolho os cacos de antigas ilusões. 
O vaso partido jamais volta ao primeiro estado. 
Mas quem aprende com a perda se fortalece. 
A virtude nasce da lucidez, não da carência. 
Assim preservo minha paz. 
 
Quem retorna apenas depois da tempestade 
Não encontrou o amor, mas o medo da solidão. 
Não sou abrigo para fugas tardias. 
Prefiro a verdade de uma ausência 
À mentira de um reencontro. 
 
Sigo adiante sem rancor nem desejo de vingança. 
O que passou já não reclama minhas forças. 
Levo comigo apenas o que edifica o caráter. 
A liberdade floresce na reta consciência. 
E a paz é a maior vitória do coração. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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