A terra, o tempo ou a estação.
Somos lançados ao mundo, de repente,
Carregando perguntas sem respostas
E o peso silencioso da existência.
Mas alguns transformam a diferença
Em fronteira, em medo, em exclusão.
Inventam sentidos onde não existem,
Como se a cor da pele pudesse conter
O mistério inteiro de uma vida.
Cada ser humano é um universo,
Um conjunto de memórias e ausências.
Nenhum olhar alcança a profundidade
Do que habita por trás dos olhos
Que atravessam os dias em silêncio.
O racismo é uma tentativa inútil
De reduzir o infinito ao superficial.
É esquecer que toda identidade
É mais vasta do que qualquer definição
Que a linguagem consiga aprisionar.
E quando a noite cair sobre todos,
Como inevitavelmente cairá,
Restará apenas o que fizemos do tempo.
Se construímos muros entre as pessoas
Ou pontes sobre o abismo da solidão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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