Como uma lembrança que não pediu licença.
Não bate à porta, simplesmente existe,
Feito luz infiltrada pelas frestas
De um quarto que desaprendeu o escuro.
E todas as noites você retorna,
Não como quem chega, mas como quem nunca saiu.
Habita o silêncio entre um pensamento e outro,
Escorre manso pelas horas insones,
Feito sombra que conhece o caminho de cor.
Há algo de eterno em sua ausência,
Algo de íntimo em sua distância.
Porque o corpo pode desconhecer o toque,
Mas a mente, essa morada indomável,
Insiste em refazer você dentro de mim.
Você vive onde ninguém vê,
Onde o mundo não alcança,
Onde até o tempo hesita:
Nesse território invisível e vasto
Que chamam, com descuido, de pensamento.
Entre dias que passam
E noites que se acumulam,
Você permanece, inexplicavelmente viva,
Como uma presença sem forma,
Como um destino que escolheu não partir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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