segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Se a ausência dói

 Penso em você nos intervalos do dia, 
Naqueles instantes em que o tempo falha 
E o coração, distraído, pronuncia teu nome 
Como se fosse uma prece antiga, 
Dessas que a gente nunca esquece de verdade. 
 
Estar longe é só um estado do corpo, 
Porque a memória não obedece estradas. 
Ela fica, insiste, reaparece, 
Feito perfume que não aceita ir embora, 
Feito saudade que aprendeu a respirar sozinha. 
 
Se a ausência dói, é porque você ficou. 
Não na rotina, não nos objetos, 
Mas nesse lugar indizível 
Onde moram as coisas eternas: 
Entre um pensamento e outro, 
Entre o que sou 
E tudo o que ainda lembro de ser com você. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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