sábado, 16 de maio de 2026

Nos funerais das velhas ilusões

A saudade veio à noite, sem aviso, 
Vestida com o frio das horas tardias; 
Sentou-se cansada junto ao meu peito 
Como quem conhece antigos abismos 
E o nome secreto das agonias. 

No coração, acendeu velas trêmulas 
Para os funerais das velhas ilusões; 
Cada chama dançava sobre lembranças 
Como fantasmas presos ao silêncio 
Dos corredores mortos das paixões. 

O passado abriu suas janelas antigas, 
E o vento trouxe vozes esquecidas; 
Retratos caíram dentro da memória 
Feito folhas secas sobre sepulturas 
De promessas jamais adormecidas. 

Há tristezas que passam com o tempo, 
Mas a saudade aprende a permanecer; 
Ela cultiva jardins de ausência 
Onde florescem sombras e murmúrios 
Que o esquecimento não pode vencer. 

Agora caminho entre restos de sonhos, 
Carregando noites dentro do olhar; 
Pois quem amou conhece esse destino: 
Transformar silêncio em eterna vigília 
E deixar o coração lentamente queimar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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