Vestida com o frio das horas tardias;
Sentou-se cansada junto ao meu peito
Como quem conhece antigos abismos
E o nome secreto das agonias.
No coração, acendeu velas trêmulas
Para os funerais das velhas ilusões;
Cada chama dançava sobre lembranças
Como fantasmas presos ao silêncio
Dos corredores mortos das paixões.
O passado abriu suas janelas antigas,
E o vento trouxe vozes esquecidas;
Retratos caíram dentro da memória
Feito folhas secas sobre sepulturas
De promessas jamais adormecidas.
Há tristezas que passam com o tempo,
Mas a saudade aprende a permanecer;
Ela cultiva jardins de ausência
Onde florescem sombras e murmúrios
Que o esquecimento não pode vencer.
Agora caminho entre restos de sonhos,
Carregando noites dentro do olhar;
Pois quem amou conhece esse destino:
Transformar silêncio em eterna vigília
E deixar o coração lentamente queimar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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