Fábricas de leis que protegem privilégios,
Máquinas de corrupção pintadas de democracia.
Padres, Pastores:
Pregam resignação para manter o rebanho dócil,
Vendem ilusões
Em nome de deuses que não descem à terra.
Patrões, Polícia:
Duas mãos do mesmo corpo,
Uma explora, a outra vigia,
E ambas esmagam quem ousa levantar-se.
Pais e Professores:
Muitas vezes moldam cabeças
Para repetir a obediência,
Ensinando a aceitar o mundo como está,
Quando deveriam ensinar a mudá-lo.
E o Povo?
O Povo vota, aceita, cala, sofre,
Mas também o Povo levanta, quebra correntes,
Porque nenhum dos anteriores existe sem ele.
O sistema é um círculo vicioso:
Eles mandam, mas só porque deixamos.
Eles roubam, mas só porque entregamos.
Eles mentem, mas só porque acreditamos.
Chega de silêncio!
Não há salvadores, nem santos, nem heróis.
Se o Povo é parte do problema,
O Povo é também a única solução.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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