domingo, 19 de maio de 2024

O vazio é o parasita

Posso até ver parasitas nas esquinas 
O vazio é o parasita 
O medo assustador das coisas que não viram 
Do assombro das que foram vistas 
E do som ensurdecedor das músicas 
Que não se pode nem falar das letras. 

Quando haverá o desmascaramento da cidade? 
Dessa mesma cidade que dorme displicente 
Que acumula lixos e sujeiras em suas calçadas 
Mas que fala em planejamento 
Principalmente nas propagandas políticas. 

Onde se esconde as alucinações 
E a sabedoria dos homens após o apocalipse? 
Quando tudo se perdeu no tempo 
Onde não restam mais nem poeira e cinza 
Dos casarões atingidos pela incompetência. 

Apenas os animais são seus ouvintes 
Os que caminham silenciosamente pelas ruínas 
E se alimentam das ervas daninhas que ali crescem 
Enquanto os insetos sobrevivem 
E se escondem dos roedores que ali fazem morada. 

Todos aqueles que não se sentam na frente 
Não podem saber o que digo em enigmas 
Não podem entender a minha linguagem 
E o que escrevo aqui é nostalgia 
Um livro que é para todos ou para ninguém. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 18 de maio de 2024

A voz que ninguém quer ouvir

A voz que ninguém quer ouvir 
Ecoa de algum lugar obscuro 
Fala de coisas 
Que nem todos tem a capacidade de entender 
São profecias de um futuro sombrio 
Que ameaça a harmonia da humanidade 
Que pode destruir os sonhos 
E a simplicidade do existir humano. 

No assustador e obscuro esconderijo 
Existe uma imagem que ninguém quer ver 
Fantasmas entocados em fúnebres ocas 
Guardando segredos de milênios 
Que podem acabar com a farra dos hipócritas 
Os que tomam o poder a força 
E exercem o controle absoluto das massas. 

Testemunhe a natureza humana 
Tendo o seu colapso cotidiano 
Sendo expostos a sua própria insanidade 
Numa única conversa com o inatingível 
Que poderá durar por mil anos 
Enquanto você não durará nem um século 
A não ser que seja um poeta ou um vidente. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 14 de maio de 2024

Tão triste e vazio

As palavras já não saem mais 
Tudo é um vazio tremendo 
Uma solidão angustiante 
Um desejo incontido de voar 
Mas é quando percebo que não tenho asas 
Não posso voar assim 
E tudo volta ao caos interior 
A solidão que estraçalha a alma 
No jardim não há flores 
Estão todas mortas com o tempo 
E borboletas não voam mais 
Nem mesmo se ouve os cantos dos pássaros 
E tudo parece tão sombrio 
Que é assustador. 

Por que alguém pode nos fazer sentir assim? 
Por que somos tão dependentes? 
Parece que o mundo não existe mais 
Ou pelo menos não há graça nele 
E o tempo não passa 
Apenas a saudade aumenta a cada minuto 
E a solidão parece nos abraçar 
Com seus braços fortes e sufocantes. 

Nem mesmo consigo expressar minha dor 
Porque as palavras já não saem mais 
E tudo parece mesmo ter chegado ao fim 
Então deixo me descansar nas folhagens 
Enquanto contemplo uma estrela solitária 
Imaginando que é aquela tão desejada 
A única capaz de mudar o meu mundo 
Hoje tão triste e vazio. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Talvez seja a última vez

Quero um sorriso seu 
Para que possas sempre dele me lembrar 
Devo lembrar-me do amor 
Que vi em seus olhos naquela manhã 
Tão linda de primavera. 
Você sorriu 
E seu sorriso tão lindo tocou minha alma 
E me fez apaixonar 
Pelos seus olhos sedutores. 
Mas, o tempo passou 
E você se afastou de mim 
E o amor já não existe 
No seu coração. 
Talvez seja a última vez 
Que venho contemplar os seus olhos 
Por isso quero ver o seu sorriso 
Para que seja a minha lembrança. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 12 de maio de 2024

Sob o luar

No silêncio da noite, nos encontramos, 
Sob o brilho das estrelas, um amor surgiu. 
Teu olhar, como o infinito dos céus, 
Me fez desejar estar nos braços teus. 

Sob o luar, eu te encontrei, 
No brilho suave, nosso amor se fez, 
Os nossos sonhos, uma dança feliz, 
Sob o luar, para sempre a desejo amar. 

Caminhamos juntos, mãos dadas na areia, 
Nossos passos marcando uma beleza de sentimento. 
Feliz em saber que o destino nos uniu nesta jornada 
E a cada momento, esta paixão em mim é renovada. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 11 de maio de 2024

Um abismo chama outro

Quem são os loucos soltos nas ruas? 
Quem são os monstros escondidos nos armários? 
Tudo parece um tanto decaído por aqui 
Algumas nuvens ameaçam o conforto do sol 
O vento carrega consigo alguma esperança 
Enquanto os vermes tentam se esconder 
Procurando refúgio nos esconderijos. 

Anjos caídos da modernidade 
Decapitam inocentes que vagueiam pelas ruas 
Esperando encontrar alguma coisa diferente 
E seus corpos cambaleiam como ébrios 
Enquanto outros tornam-se deuses de si mesmo 
Pigarreando nas bordas do intelecto 
Fazem isso por pura provocação. 

Como podemos lidar com essa total estranheza? 
Com esse sentimento de insegurança 
Se há perigo em todas as esquinas da vida 
E não sabemos o que nos aguarda ainda hoje? 
O sangue preto que jorra das veias esquecidas 
Mistura-se com o branco dos entorpecentes 
Provocando uma mistura alucinógena 
Que nem os psicopatas na prisão conseguem livrar. 

Caminhamos para um abismo sem fim? 
Seremos nós expurgados do planeta Terra? 
A face de todos os heróis mostra-se imperfeita 
Porque no fundo não fazem coisas boas 
O mundo capitalista é o caos e a destruição 
É um abismo chamando outro abismo 
O leviatã engolindo tudo ao seu redor 
E não se pode fazer quase nada a respeito. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 9 de maio de 2024

A dor de quem perde o que mais ama

É a dor daquele que enfrenta a tragédia, 
Cujo coração se desfaz em pranto, 
Sob o peso da mais dura agonia, 
Numa jornada de sofrimento e lamento. 
 
É a dor que corta, que dilacera, 
Que transforma a luz em sombra escura, 
Que faz da alegria uma quimera, 
E da esperança uma frágil costura. 
 
É a dor de quem perde o que mais ama, 
Que vê seus sonhos desmoronarem, 
Na imensidão de uma dor que inflama, 
E no vazio dos olhos, lágrimas se escondem. 
 
Mas mesmo no abismo da aflição, 
Há uma centelha, um fio de luz, 
Que brota da mais profunda escuridão, 
E traz consigo a força que seduz. 
 
Pois na dor há também a redenção, 
Um caminho de transformação, 
Onde a alma encontra a compaixão, 
E renasce a partir da destruição. 
 
Então que a dor, embora intensa, 
Seja o portal para a reconstrução, 
Onde a esperança se torna imensa, 
E a vida floresça em nova canção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense 
Em solidariedade às vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul.

terça-feira, 7 de maio de 2024

Almas quietas

No silêncio das almas quietas ecoa 
Um tumulto de pensamentos, uma sinfonia, 
Nas mentes dos que pouco falam, entoa 
Um mundo vasto de sonhos, alegria. 
 
São como livros fechados, porém repletos, 
De histórias não ditas, de segredos guardados, 
Onde a solidão dança ao som dos afetos, 
E o silêncio é o palco dos seus fados. 
 
Nas entranhas de cada palavra não dita, 
Há um mar revolto de emoções contidas, 
Cada suspiro, uma nota sublime e infinita, 
Cada olhar, um conto de vidas perdidas. 
 
Nas mentes dos calados há tempestades, 
Que rugem sem som, em terras sem fim, 
São como mares agitados em verdades, 
Onde o barulho se oculta num singelo jardim. 
 
Oh, silenciosos, cujas mentes são trovões, 
Tecendo em segredo teias de complexidade, 
Em vossos abismos, nascem inspirações, 
Em silêncio que ecoa pela eternidade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

No silêncio da noite

Cai à noite e vem o silêncio 
E na brisa a bater na janela 
Ouço a voz do seu coração. 
Meus pensamentos, então, 
Voa os espaços e procura você. 
E nos meus sonhos 
Você aparece linda e meiga 
A sorrir para mim. 
Então adormeço silenciosamente 
Com a beleza de seus olhos 
Na minha alma. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 6 de maio de 2024

No coração do Pantanal

No Rio Paraguai, em Cáceres, vou lhes contar 
Uma história de encantos, de se admirar 
Nas águas que refletem o sol de explendor 
Nas margens que contam segredos de amor. 
 
No coração do Pantanal, Cáceres adormece 
Onde o rio serpenteia e a vida floresce 
É um mundo de cores, de vida que se entrelaça 
Onde a natureza dança e a alma se enlaça. 
 
As águas do Paraguai são como espelhos 
Refletindo o céu, os sonhos, os desejos 
Em suas margens, a flora se desabrocha 
E a fauna se mostra, em festa, se aloca. 
 
No bailado das garças, no canto das aves 
Na dança das capivaras, nos sons suaves 
Cáceres é um poema, uma ode à natureza 
Um tesouro que o Paraguai tem em sua riqueza. 
 
Em suas águas, histórias se desenrolam 
De pescadores que labutam, que se embriagam 
De lendas que se contam na beleza do luar 
No coração do Pantanal, Cáceres eterna a brilhar. 
 
Então venha, amigo, venha conhecer 
As belezas do Paraguai em Cáceres a florescer 
Onde a vida se revela com muita atitude 
No Rio Paraguai, em Cáceres, a felicidade é plenitude! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 5 de maio de 2024

I FELIC - FEIRA LITERÁRIA DE CÁCERES

    Realizada no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, a I FELIC - FEIRA LITERÁRIA DE CÁCERES, foi um sucesso! A feira foi realizada no pátio do Campus Jane Vanini da UNEMAT em Cáceres. 

    Participaram da I FELIC os escritores: 
    Edson Flávio 
    Hélio Santana 
    Juliano Moreno 
    Luiz Zeferino 
    Esdras Crepaldi 
    Mariano Leal 
    Airton dos Reis Júnior 
    José Ricardo Menacho 
    Odair José, Poeta Cacerense 

    E abrilhantaram o evento as escritoras: 
    Amélia Alves 
    Olga Castrillon 
    Rebeca Moreira 
    Érika Regina 

    Ainda teve exposição de livros dos integrantes do PEN Clube do Brasil, Regional MT. 
    Um espaço de conhecimento para a comunidade acadêmica e a sociedade cacerense. 

Segue o link para assistir o vídeo!




sábado, 4 de maio de 2024

O horizonte faz lembrar

O silêncio de uma tarde vazia 
Onde o vento espalha as folhas 
O sol esconde-se no horizonte 
Deixando o céu com tons coloridos 
Uma saudade no coração ferido 
Procura um lugar para se esconder também. 

O horizonte faz lembrar 
Os momentos de pura felicidade 
Quando os sonhos eram os mesmos 
E caminhavam na mesma direção 
Até que o destino veio separar 
E para longe ela se foi sem dizer adeus. 

A saudade é uma companheira implacável 
E que faz lembrar de tudo 
Sussurrando a triste falta de sorte 
Em não poder segurá-la por mais tempo 
Porque seus olhos olharam 
E buscaram outros caminhos 
Restando apenas as angústias da solidão. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Medeia

Nas profundezas do mito, onde sombras dançam, 
Medeia, a feiticeira, sua história tece. 
De olhos ardentes, alma quebrada, ela avança, 
Caminhando na linha entre amor e desamparo. 
 
Filha do Sol, sacerdotisa da noite, 
Medeia, desterrada, de terras distantes, 
Na Grécia encontrou amor, um vínculo frágil, 
Jason, o herói, que lhe prometeu mundos e estrelas. 
 
Por amor, ela abandonou sua terra, 
Traiu sua família, desafiou reis, 
Mas o destino, como uma serpente oculta, 
Preparava sua peçonha na trama dos dias. 
 
Na cama de núpcias, traições se urdem, 
Jason a troca por uma aliança política, 
E Medeia, na fúria da traição e da dor, 
Despeja veneno nas veias de seus inimigos. 
 
Mãe das sombras, dos gritos da vingança, 
Medeia, em desespero, semeia a destruição, 
Sangue mancha suas mãos, seus olhos queimam, 
Ela parte, num carro puxado por dragões, para além da razão. 
 
 Oh, Medeia, mulher de paixão e fúria, 
Tua história ecoa através dos tempos, 
Em cada coração ferido, em cada alma perdida, 
O eco de tua voz ressoa em um eterno lamento. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Quem dera eu tivesse o poder

No momento em que sua imagem eu vi 
Linda e sedutora a desfilar 
Meus pensamentos me levaram 
A meiguice do seu lindo olhar. 

No momento sublime que vislumbrei 
Seu sorriso encantador 
Uma emoção tomou conta do coração 
Que hoje anseia pelo seu calor. 

Seu rosto angelical e diferente 
Envolto pelos seus cabelos lisos 
Realça uma beleza ímpar 
Que só vejo em seu sorriso. 

Seu corpo esbelto e sedutor 
Revela a sensibilidade de mulher 
Sereia que seduz pelo encanto 
Esteja onde estiver. 

Quem dera eu tivesse o poder 
De seu coração conquistar 
Para aquecer-me no inverno 
E, na primavera, te amar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 1 de maio de 2024

O último suspiro

Cabe a mim sentir 
O aroma amargo do veneno mortal 
Destilado pelas palavras impensadas 
De algum imbecil 
Solto de algum manicômio. 
O último suspiro 
Precisa mesmo dizer alguma coisa? 
Por que a Terra está em trevas? 
O que se pode ver por aí 
É que alguns se tornam deuses de si mesmo 
Acreditando até mesmo 
Que tem o poder sobre o destino de outros 
E eu apenas observo 
E vejo toda esse emaranhado de coisas tolas 
Que causam até intensos calafrios. 
O mundo não é um lugar para os fracos 
Para os tolos talvez 
Mas não para os fracos. 
Eu sou impuro no meio de tudo isso 
Indigno de ser ouvido 
E tem alguém que questiona tudo 
Sem contar que seus olhares é intimidador 
Mas não me preocupo 
Porque até sei o destino deles 
Mortos em esquinas mortas. 
Tudo é sujo por aqui 
Até as sombras são adoecidas 
E eu sou apenas um louco poeta 
Gritando aos quatro cantos do mundo 
Para ver se pelo menos alguém 
Possa acordar desse sono profundo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense