quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Não fale de amor

Quero apenas estar em silêncio 
Viver o amanhã 
Sem me preocupar com as lágrimas. 
O amor já não está aqui 
O peito está vazio 
E o medo já não existe. 
Seus olhos ofuscam minha visão 
E quero me libertar 
Do sonho construído. 
Seja o que for 
Não quero mais me arriscar 
Nesse amor tão complicado. 
Sinto a distância tomar conta 
Mesmo estando junto de ti 
E meus sonhos buscarem outras formas. 
Não fale de amor comigo 
Já não quero nem saber 
O que poderia ter sido. 
Saio em busca do horizonte 
Onde espero encontrar 
Outras formas de prazer. 
Sem arrependimento, 
Sem traumas. 
Que fiquem as lembranças 
De seu sorriso tão lindo na primavera 
E dos meigos abraços nas noites de lua. 
Não fale de amor 
Para não magoar o coração 
E não me espere mais. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Despeço-me de seus olhos

Hoje venho me despedir 
Despedir-me de seus olhos 
Negros e sedutores. 
Hoje descobri que não posso ficar 
Preso aos sonhos. 
Prometi coisas que não cumpri 
E me arrependo de palavras 
Que falei na emoção do sentimento. 
Sonhei alto. 
Tão alto que cai em mim mesmo 
E vi que era impossível. 
Errei querendo acertar 
E a vida escapou-me 
De minhas mãos. 
Despeço-me de seus olhos 
Com a sensação 
De que eles sempre 
Irão me acompanhar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Um dia, tão cheio de brisa... Lá na Palestina

A imagem de um bebê queimado é chocante. 
Não há como fechar os olhos para as atrocidades 
Cometidas em nome da fé. 
A Faixa de Gaza é um corredor banhado de sangue inocente 
Enquanto os fanáticos 
Na sua fúria desenfreada só pensam na destruição do inimigo. 
Do lado israelense há menos vítimas 
Até porque aprenderam a se proteger depois do Holocausto 
Mas, não estão isentos dos ataques de fundamentalistas suicidas. 
No ano de 1096 
Em um discurso inflamado e inconsequente 
O Papa Urbano II incitava os cristãos europeus 
A marcharem para a Terra Santa e tomá-la dos muçulmanos. 
No discurso abolia-se o sexto mandamento: não matarás 
Desde que quem morresse fosse infiel ou herege. 
Milhares de pessoas perderam a vida 
Na esperança de encontrar salvação em Jerusalém. 
E o sangue jorrou nas areias escaldantes daquele deserto. 
Quase mil anos depois e os conflitos acontecem 
Em proporções maiores de crueldade. 
Até quando isso vai ser assim? 
O que leva o ser humano a se digladiar o tempo todo? 
Por que uma ideologia religiosa tem que ser superior à outra? 
Para onde caminha a humanidade? 
Um dia, tão cheio de brisa, lá na Palestina 
Jesus caminhou no meio de pessoas oprimidas pelo Império Romano 
E pregou a paz e o amor. 
Ame o próximo como a ti mesmo, dizia Ele. 
E onde está esse amor? 
Um dia, tão cheio de brisa, lá na Palestina 
Jesus olhou para o esplendor de Jerusalém e chorou. 
Sim, Ele chorou. 
Lágrimas saíram dos olhos do Filho de Deus 
Porque Ele contemplava o desespero de uma cidade 
Que virou as costas para Ele e seu amor. 
Quantas vezes eu quis te ajuntar debaixo de minhas asas, 
Assim como a galinha ajunta os seus filhotes 
E você não quis. 
Hoje não há brisa na Palestina 
Apenas nuvens de poeira misturada ao sangue de inocentes. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 5 de novembro de 2023

Sua presença é tudo para mim

Vou abrir a você o meu coração 
Dizer o que tenho no meu pensamento 
Falar sobre a grande emoção 
Que despertou em mim esse sentimento. 

Você que um dia chegou de mansinho 
Com um sorriso tão encantador 
Me deu todo o seu carinho 
E me fez compreender o amor. 

A sua presença é tudo para mim 
É a magia de um dia alegre de verão 
Com você eu sou tão feliz assim 
Que não consigo esconder o coração. 

A beleza que tens no olhar 
Faz o amor em mim florescer 
Com você aprendi o que é amar 
E, por isso, nunca vou te esquecer. 

Que essas palavras de puro sentimento 
Chegue ao seu meigo coração 
Contigo vivo o melhor momento 
Porque não tenho mais solidão. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

As esquinas do século vinte e um

Todas as esquinas oferecem um perigo iminente 
Você nunca sabe o que pode encontrar 
Assim que cruzar o limiar do desconhecido 
Suas sombras adormecidas podem ser despertas 
E monstros serem libertos de suas prisões. 

Velhos mortos estão espalhados pelo tempo 
Eu até tenho o meu roteiro preparado 
Mas não posso desenvolver sozinho 
Se nem todo dia posso ouvir uma sintonia 
Nem mesmo uma melodia barata nas vielas. 

Choramos lágrimas de festim para disfarçar 
Transbordamos fantasias para esconder 
Um pequeno circo se forma nas penumbras 
Onde artistas maquiados pedem aplausos 
Quando existe apenas vaidade refletida nos olhos. 

Ninguém se importa com a nossa maturidade 
Quando todos estão envolvidos em seus segredos 
Nada existe debaixo dos seus olhos 
Se máscaras tentam cobrir todas as cicatrizes 
Talvez nunca venhamos a saber a história. 

Onde estão todas as crianças perdidas? 
O perigo do talvez nunca está com os adultos 
Apenas o sorriso de um gato invisível 
Pode entregar as atrocidades que se fazem 
Nos gramados esverdeados e jardins floridos. 

Por que um poeta triste deveria se importar 
Com a mácula de mente juvenis sem direção? 
Por que deveria gritar em seus versos políticos 
Brados de advertências contra esses corruptos 
Lobos vestidos de ovelhas entre nós? 

Todas as esquinas do século vinte e um 
Escancaram o seu trágico recado de alerta 
Em algum canto escuro por ai 
Almas inocentes estão sendo devoradas 
Pelos monstros por trás de figuras públicas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 4 de novembro de 2023

Sentimento fecundo

Eu te amo profundamente 
E isso é tudo que precisa saber; 
Você está sempre em minha mente 
E fez em mim esse amor renascer. 

Te amar é tão salutar 
Que não posso mais esquecer; 
O seu sorriso fico a admirar 
Quando não posso te ver. 

Você tem a beleza no olhar 
Uma magia linda no coração; 
Que me faz sempre em você pensar 
E escrever uma nova canção. 

Em você encontrei o amor 
O sentimento que domina a alma; 
Você é a mais linda flor 
E a singela brisa que me acalma. 

Seu amor é tudo que preciso 
Para ser feliz nesse mundo; 
Saber que posso ver o seu sorriso 
É o que faz esse sentimento fecundo. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Sentimentos confusos

O que mais poderia fazer sentido? 
A percepção tão frágil diante de mim 
E as incertezas de mais uma manhã que termina 
Quando não se vê o brilho do seu olhar 
E a esperança do amor que sinto em mim? 
Onde anda a segurança de seus passos 
O calor de seus abraços tão aconchegantes 
Se não estão mais por aqui, 
Onde eles estão agora? 
Eu me perco em minhas divagações 
Em meus sentimentos confusos 
Todas as vezes que procuro o seu olhar 
E não vejo mais aquela esperança de outrora 
É como se o mundo estivesse tão vazio 
Que eu poderia caminhar infinitamente 
Sem tocar coisa alguma. 
As lembranças são válvulas de escape 
A esperança a última a morrer em mim 
E mesmo assim eu ando sozinho pelo mundo 
Sem saber o que fizeram você desistir 
De um sentimento que parecia tão sólido 
Mas que se foi 
 Como o vento depois da tempestade. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Caminhos trilhados na penumbra

Num canto escuro de silêncio triste, 
Onde sombras ocultam um segredo, 
Reside uma paixão que persiste, 
Um amor que é por todos proibido. 

Em olhares furtivos, promessas mudas, 
Nossos corações ousam se encontrar, 
Mas a sociedade com suas rédeas surdas, 
Nos força a nos ocultar e disfarçar. 

Nossos caminhos, trilhados na penumbra, 
São como rosas em jardim secreto, 
Pois o mundo não compreende ou atura, 
Esse amor que parece tão imperfeito. 

O tempo passa, e a chama continua, 
Queimando forte no peito, escondida, 
A paixão proibida, a história nua, 
Que o destino nos nega, mas é a vida. 

Numa dança de sentimentos conflitantes, 
Vivemos nossa história, forte emoção, 
Na esperança de dias mais radiantes, 
Quando, enfim, possamos viver nossa paixão. 

Até lá, nos mantemos escondidos, 
Numa paixão proibida, segredo esquivo, 
Sabendo que o amor é sempre permitido, 
Mesmo quando o mundo o quer cativo. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Te amei antes de te conhecer

Presta bem atenção no que vou dizer 
Palavras saem do meu coração; 
Imagens que não consigo esquecer 
Que em mim fez nascer uma grande paixão. 

Eu te amei antes de te conhecer 
Antes mesmo de ver o seu lindo olhar; 
O amor que surgiu fez renascer 
Na minh'alma uma nova forma de sonhar. 

Você é a flor mais linda do jardim 
Que criei em minha imaginação; 
És a estrela mais brilhante para mim 
Que afasta de mim toda escuridão. 

Eu vou sempre te amar profundamente 
Porque vi o amor em seu sorriso; 
E esse sentimento vai durar eternamente 
Porque você é tudo que preciso. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Aquele único olhar

Eu só queria ver o seu olhar 
Nada mais me importava 
Quanto à beleza daquele olhar... 
Mas não era fácil 
Havia muitos imprevistos 
E ela estava muito ocupada em suas tarefas. 
Ela não ia olhar para mim 
Não mesmo... 
Mas eu estava lá 
Queria apreciar aquela noite 
E ela estava tão linda... 
O branco e o amarelo 
Seus cabelos divididos em duas partes 
Seguros por florzinhas amarelas 
Linda flor amarela 
Que encantou-me... 
 
Foi um único olhar 
Em um dos momentos que foi possível 
Ela sorriu 
Lindamente o sorriso mais singelo 
E eu vi o brilho em seu olhar 
O amor de seu coração... 
E eu sei o quanto amo tudo isso. 
Valeu a pena ter ido em busca daquele olhar... 
Eu não posso esquecer! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Revelação do sentimento

Sabe aquele amor a tempo escondido? 
Ele não pode mais ficar assim 
Eu preciso revelar-te o que sinto 
De verdade 
Por isso abro aqui o meu coração 
Para dizer-te sobre esse sentimento 
Essa sensação gostosa 
Que me faz pensar em você o tempo todo 
Que me faz sonhar com você 
E eu fecho os olhos e vejo o seu encanto 
Vejo o seu sorriso sedutor 
O seu olhar misterioso e faceiro 
Que revela o seu meigo coração 
A sua alma tão bela e singela 
Que me transporta para uma outra dimensão 
Porque é onde encontro você 
Onde percebo o que você tem de melhor 
A sua simpatia e presença radiante 
Que me faz feliz 
Me faz desejar não mais acordar 
Deste sonho tão maravilhoso 
Que encontrei em você 
E que me fez entender 
Que a vida sempre nos mostra um novo caminho 
E nesse caminho quero trilhar 
Junto a você e esse amor 
Que mudou a minha vida para sempre. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Meus olhos encontraram os seus

 Na encruzilhada do longo caminho 
Meus olhos encontraram os seus 
E o sorriso que me deste com carinho 
Tirou toda a angústia dos olhos meus. 
 
Trova: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Gaiolas de um quarto escuro

Os caminhos da mente são feitos de caos 
E nem podemos negar o fato que importa para as almas perdidas 
Quando o destino é o maior traiçoeiro que existe 
E no silêncio ninguém pode conseguir nenhuma companhia 
Porque as tristezas não se podem contar. 

O psicopata na prisão tem a cor do elefante 
A imagem silenciosa dos que sonham por dias melhores 
Quando lágrimas teimam em rolar de faces inocentes 
É quando percebemos que a humanidade falhou miseravelmente 
Com os seus semelhantes que perambulam pelas ruas desertas. 

Quando as mães varrem a sujeira dos filhos para debaixo do tapete 
Percebe-se que os destinos são traçados na infância 
Que o ambiente corrompe até a alma dos mais puros 
E que a distância é apenas mais um pretexto para as angústias 
Quando os seres humanos não sabem o que fazer. 

O sangue preto que jorra das veias entupidas de entorpecentes 
É o mesmo que poderia salvar vidas inocentes 
Mas nem mesmo as pobres criaturas noturnas são capazes 
Quando estão todas acorrentadas em algum porão por ai 
Longe dos olhos de bisbilhoteiros e vagabundos. 

É quando a solidão não faz mais nenhum sentido 
Pessoas querem se esconder nos becos escuros de uma rua qualquer 
Ou atrás de latas vazias de cervejas fedorentas e vencidas 
Onde fumaça toma conta do ambiente impuro 
E provoca náusea nos estômagos de quem ousa sentir o cheiro. 

Tudo o que ainda não foi revelado está escondido 
E nem mesmo os mais sábios do mundo pode saber o futuro 
Quando ninguém prestou atenção nas aulas de História 
O destino é implacável com os ignorantes e imbecis 
Que vivem atormentando nosso caminho o tempo todo. 

Todas as esquinas temem os estranhos que se escondem 
Porque haverá dias em que não poderão mais ver coisa alguma 
Se o sol não pode parar a sua trajetória 
Quem poderá esconder as violências cometidas nas penumbras 
Quando ficaram de tocaias no único esconderijo possível. 

Eu sou impuro quando declamo meus versos sentidos 
Mas quem poderá refutá-los com alguma audácia que não é minha? 
Se eu um dia parar de escrever minhas angústias noturnas 
O mundo há de saber que já não estou entre os mortais 
E, então, estarei de braços dados com a imortalidade. 

 O último suspiro precisa dizer alguma coisa importante 
E por isso estou aqui dizendo essas palavras 
Quando não se sabe exatamente quais serão as últimas 
Abra o seu coração e deixe que elas saiam desfilando por ai 
Como se fossem uma carta aberta ao mundo da imaginação. 

Gaiolas de um quarto escuro sempre esconde algo cruel 
Uma saudade perdida no tempo que vive a incomodar 
Ou uma lembrança no profundo da alma que nos faz lembrar 
Que um dia algo de bom aconteceu em nossas vidas 
E que, por algum motivo banal, deixou de existir com o tempo. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Sedução em tempos de silêncio absoluto

Nem pergunte-me o que passa em seu pensamento 
Eu não tenho as respostas 
Apenas mais perguntas do que podemos responder 
Porque o tempo passa silenciosamente 
Quando queremos correr 
E nem sabemos o porque de nossa existência 
Em um mundo que não pode nos esperar. 
 
Cada volta que a Terra dá em torno do sol 
E gira em seu pŕoprio eixo 
É um tempo a menos que temos para nela estar 
E muitos de nós nem mesmo pedimos para estar aqui 
Mas isso pouco importa 
Porque o sol se levanta todas as manhãs 
Sem se preocupar se você dormiu bem ou não. 
 
O que acontece nos submundos não se pode descrever 
Segredos entre quatro paredes 
Que não podem ser revelados de forma nenhuma 
E tudo não passa de uma triste ilusão perdida 
Sedução em tempos de silêncio absoluto 
Que não conseguimos esconder de ninguém 
Porque está estampado em nossos tristes olhares. 
 
Mas eu não quero ficar aqui lamentando 
O que eu não posso mudar 
Afinal, quem sou eu para controlar o mundo? 
Quem sou eu para impedir os seus pensamentos? 
Não há um tempo cronológico que pode impedir 
O vento de tocar em seu rosto quando quiser 
Porque o tempo não está preso a nossa existência. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 29 de outubro de 2023

Jogo arriscado

Em um jardim de mistério, 
Uma menina encantadora, 
Espera ansiosa um beijo de paixão, tão sedutora. 
Seu coração pulsa forte, 
O desejo que a domina é inevitável, 
Mas o medo e incertezas, a fazem se iludir. 

Seus olhos brilham 
Como estrelas no céu noturno, 
Na escuridão, ela espera por um amor. 
As borboletas dançam em seu estômago, inquietas, 
Pois a paixão queimando nela, 
A faz se sentir tão incompleta. 

O toque dos lábios que ela anseia, 
Intenso e ardente, 
É um fogo que a consome, queima lentamente. 
Mas o medo da rejeição, 
O que o amanhã trará, 
A faz hesitar, duvidar, 
Se permitirá o beijo que quer dar. 

Ela sabe que o amor 
Pode ser um jogo arriscado, 
Mas também entende que, sem riscos, 
Fica tudo estagnado. 
Então, com coragem, 
Ela decide seguir seu coração, 
Deixando o desejo intenso, 
A paixão, ser a direção. 

O beijo que espera pode ser doce como o mel, 
Ou pode ser um capítulo 
Que a vida escreverá com seu pincel. 
Mas uma coisa é certa, 
Na incerteza do amanhã, 
Ela encontra força no desejo intenso, 
Na paixão que lhe acalma. 

A menina espera, 
No jardim misterioso da vida, 
Com o desejo intenso que a faz sentir-se tão viva. 
Pois, apesar das incertezas e do medo que a invade, 
Ela sabe que a paixão, o amor, 
São tesouros que não se trocam por nada. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense