quarta-feira, 15 de julho de 2026

O fluxo dos ponteiros

Olhares que aprenderam com o tempo a enganar, 
Tomaram por verdade o fluxo dos ponteiros, 
E viram nos começos apenas derradeiros, 
Sem nunca ao invisível ousarem se lançar. 

Contaram cada dia como quem quer somar, 
Mas perderam o sentido entre números ligeiros; 
Foram fiéis serventes de instantes passageiros, 
Sem perceber o eterno dentro deles a pulsar. 

O tempo, astuto, veste máscaras de razão, 
E ensina ao olhar cego sua falsa medida, 
Faz do efêmero um trono, da pressa, uma prisão. 

Mas há no instante nu uma chama escondida, 
Que escapa à mentira, à contagem, à ilusão, 
E só vê essa luz quem aprende enxergar a vida. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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