Quando o seu olhar se desprendeu do meu como outono,
E as palavras, tímidas, recolheram-se ao fundo do peito.
Havia um mundo inteiro pulsando entre os silêncios,
Mas eu escolhi o abismo confortável do não dizer,
Como quem teme que a verdade, ao nascer, desmorone tudo,
E transforme o instante em algo impossível de suportar.
Desde então, carrego frases que nunca respiraram,
Cartas invisíveis escritas na pele da memória,
E um amor que aprende a existir sem testemunhas.
Seu olhar partiu, mas deixou em mim um eco interminável,
Um vazio que se alonga nas horas mais quietas do dia,
Como se o tempo tivesse parado naquele instante exato
Em que perdi você sem sequer tentar te alcançar.
Agora, o silêncio é a língua que mais me traduz,
E nele repousa tudo o que não ousei revelar.
Há sentimentos que não morrem, apenas se escondem,
Vivendo de sombras, de lembranças e de quase.
Se eu tivesse dito, talvez fosse ruína ou redenção,
Mas o não dito tornou-se eterno dentro de mim,
Como um adeus que nunca teve coragem de existir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário