Não para o tumulto do mundo,
Mas para o silêncio que antecede o nome das coisas.
Leva-me onde o tempo se esquece de correr
E a chuva fala com a terra
Como se trocassem lembranças antigas.
Convida-me para ouvir o barulho da chuva,
Não como quem busca abrigo,
Mas como quem deseja compreender
Que tudo o que cai, retorna.
Que até o instante que se desfaz
É uma forma de eternidade.
Mostra-me teus personagens favoritos,
Aqueles que te ensinaram a olhar,
A suportar o peso de existir,
A reconhecer a beleza nas ruínas.
Em cada página, talvez eu encontre
O espelho de um ser que também procura sentido.
Deixa-me escutar as tuas músicas,
Não as notas, mas os silêncios.
Pois é entre um som e outro
Que mora o indizível,
Onde o espírito se recolhe
Para respirar o invisível.
Convida-me para sair de mim,
Para caminhar sem direção,
Até que o pensamento se dissolva
No rumor das águas e das horas.
E quem sabe, nesse instante,
A alma compreenda o que sempre soube,
Que existir é apenas ouvir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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