quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Convida-me para sair

 Convida-me para sair, 
Não para o tumulto do mundo, 
Mas para o silêncio que antecede o nome das coisas. 
Leva-me onde o tempo se esquece de correr 
E a chuva fala com a terra 
Como se trocassem lembranças antigas. 
 
Convida-me para ouvir o barulho da chuva, 
Não como quem busca abrigo, 
Mas como quem deseja compreender 
Que tudo o que cai, retorna. 
Que até o instante que se desfaz 
É uma forma de eternidade. 
 
Mostra-me teus personagens favoritos, 
Aqueles que te ensinaram a olhar, 
A suportar o peso de existir, 
A reconhecer a beleza nas ruínas. 
Em cada página, talvez eu encontre 
O espelho de um ser que também procura sentido. 
 
Deixa-me escutar as tuas músicas, 
Não as notas, mas os silêncios. 
Pois é entre um som e outro 
Que mora o indizível, 
Onde o espírito se recolhe 
Para respirar o invisível. 
 
Convida-me para sair de mim, 
Para caminhar sem direção, 
Até que o pensamento se dissolva 
No rumor das águas e das horas. 
E quem sabe, nesse instante, 
A alma compreenda o que sempre soube, 
Que existir é apenas ouvir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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