Não bata na minha porta
Como quem procura um bar aberto
Depois que todos os outros fecharam.
Eu não sirvo bebida para arrependimentos.
O amor não é um ferro-velho
Onde se troca o que foi destruído
Por uma peça que ainda funciona.
Eu também sangrei,
Só aprendi a limpar o chão.
Você chamou de destino
Aquilo que era apenas desejo.
Agora chama de saudade
Aquilo que é solidão.
Há uma diferença enorme.
Não tenho vocação para salvador.
Heróis morrem cedo
E idiotas vivem cansados.
Escolhi sobreviver
Com o pouco que restou de mim.
Então siga.
Carregue os cacos que a vida lhe deu.
Eu carrego os meus.
E, pela primeira vez,
Eles não pesam mais do que a minha paz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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