terça-feira, 15 de setembro de 2026

O amor não é um ferro-velho

 Se um dia quebrarem o teu coração, 
Não bata na minha porta 
Como quem procura um bar aberto 
Depois que todos os outros fecharam. 
Eu não sirvo bebida para arrependimentos. 
 
O amor não é um ferro-velho 
Onde se troca o que foi destruído 
Por uma peça que ainda funciona. 
Eu também sangrei, 
Só aprendi a limpar o chão. 
 
Você chamou de destino 
Aquilo que era apenas desejo. 
Agora chama de saudade 
Aquilo que é solidão. 
Há uma diferença enorme. 
 
Não tenho vocação para salvador. 
Heróis morrem cedo 
E idiotas vivem cansados. 
Escolhi sobreviver 
Com o pouco que restou de mim. 
 
Então siga. 
Carregue os cacos que a vida lhe deu. 
Eu carrego os meus. 
E, pela primeira vez, 
Eles não pesam mais do que a minha paz. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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