terça-feira, 15 de setembro de 2026

Quando chegar o último momento

Quando chegar o último momento, não temerei. 
A vida cumprirá o curso que lhe foi dado. 
Receberei o silêncio como velho companheiro, 
Pois ninguém vence a marcha do tempo; 
Vence apenas quem aprende a aceitá-la. 
 
Sonhei enquanto o destino permitiu. 
O que alcancei, agradeço; o que perdi, liberto. 
Não acuso a fortuna por seus caprichos, 
Porque a paz floresce na alma 
Que governa a si mesma. 
 
Não levarei riquezas nem aplausos, 
Mas o caráter moldado pelas escolhas. 
Toda virtude permanece além da posse, 
E quem viveu com retidão descansa 
Sem negociar a própria consciência. 
 
Se ainda houver um sonho, será simples: 
Partir sem remorsos e sem arrogância, 
Deixando bondade onde meus passos estiveram. 
A morte fecha os olhos do corpo, 
Mas não apaga o valor de uma vida justa. 
 
Esperarei o derradeiro instante, 
Sereno como a árvore diante do outono. 
As folhas caem, porém a raiz permanece. 
E compreenderei, enfim, que a maior vitória 
Foi aprender a viver antes de partir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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