Quando chegar o último momento, não temerei.
A vida cumprirá o curso que lhe foi dado.
Receberei o silêncio como velho companheiro,
Pois ninguém vence a marcha do tempo;
Vence apenas quem aprende a aceitá-la.
Sonhei enquanto o destino permitiu.
O que alcancei, agradeço; o que perdi, liberto.
Não acuso a fortuna por seus caprichos,
Porque a paz floresce na alma
Que governa a si mesma.
Não levarei riquezas nem aplausos,
Mas o caráter moldado pelas escolhas.
Toda virtude permanece além da posse,
E quem viveu com retidão descansa
Sem negociar a própria consciência.
Se ainda houver um sonho, será simples:
Partir sem remorsos e sem arrogância,
Deixando bondade onde meus passos estiveram.
A morte fecha os olhos do corpo,
Mas não apaga o valor de uma vida justa.
Esperarei o derradeiro instante,
Sereno como a árvore diante do outono.
As folhas caem, porém a raiz permanece.
E compreenderei, enfim, que a maior vitória
Foi aprender a viver antes de partir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário