terça-feira, 6 de julho de 2021

Sem medo da solidão de outrora

Ouviu dizer e até acreditou 
Que poderia viver sem machucar o coração 
Bastaria dar ouvidos a sua razão 
E prosseguir sua caminhada sozinho 
Só não imaginou que seria estranho 
Que não deixaria de pensar por um minuto 
Na beleza que sentia junto a fonte 
E que não poderia deixar de sonhar. 
A vida poderia esperar mais 
Talvez até mesmo os sonhos fossem reais 
Ao acordar em não ver as estrelas 
Mesmo que ainda estivesse noite 
E a lua permanecia imponente no firmamento. 
Fechou os olhos para imaginar 
O caminho entre as nuvens que iria cortar 
E poderia viver outra vez 
Sem medo da solidão de outrora. 
Naquela manhã que agora surgia 
Sentiu a brisa refrescar sua alma 
E em um relapso de tempo pode ver 
O brilho intenso do olhar 
Que permanecia em seu coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Vivendo por viver

Não sei mais quem sou 
Perdi-me no tempo. 
O tempo que você me roubou 
Sem ter compaixão. 
Você foi o sonho que construí 
O sonho que almejei 
E, ao mesmo tempo, você foi 
A ilusão que me dilacerou o coração. 
Não sei se vivo 
Não tenho mais esperança 
Pois, em você estava 
A razão da felicidade. 
Vivo por viver 
O sonho se desfez e não mais volta. 
As lembranças são torturas 
De um tempo que não conforta. 
Você foi à razão do desespero 
Foi a ilusão de um coração 
Que viveu pra te amar. 
Vivendo por viver 
Minha angustia carrego 
Em um tempo que é cruel 
Posso te levar ao meu céu. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 3 de julho de 2021

Nos lugares ocultos mata o inocente

Quem são esses que promovem a maldade 
Colocam-se nos cercados 
Nas aldeias 
Vilas 
Nas grandes cidades 
No oculto matam os inocentes 
Traficam drogas 
Bebidas alcoólicas 
Praticam o aborto 
Olhos sinistros fixos sobre o pobre 
Enganam os pobres, jovens e incautos 
Com mentiras 
Propagandas falsas das delícias 
Que o uso de seus produtos 
São maravilhas do mundo moderno 
Esses são maldosos 
Que armam ciladas em esconderijos 
Como o leão no seu covil 
Acreditam que Deus escondeu-se 
E não vê toda essa maldade 
Mas o Senhor ouve os gemidos dos mansos 
Ele prova os justos 
Aborrece os malfeitores 
E fará juízo 
Aos que amam a violência. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ruas, marmitas e jacarés

Eu caminhava sozinho pela escuridão das ruas desertas 
Cercadas de matos e vultos da minha imaginação 
Quando poderia ser apenas um saco plástico levado 
Pelo vento frio da madrugada. 
Eu tinha que caminhar 
Precisa trabalhar para ajudar em casa 
E agora já era um homem. 
Com minha marmita de almoço via o sol sair no horizonte 
Enquanto caminhava rumo a cooperativa de jacarés 
Coocrijapan para ser mais exato. 
Na minha trajetória daqueles anos 90
Podia sonhar com dias melhores 
Que pudesse me aliviar do sofrimento 
Das mordidas de jacarés e do mal cheiro 
Que impregnava nas minhas narinas 
E demorava dias para sair do corpo. 
É sofrida a vida de uma pessoa no seu amadurecimento 
E lembrar desses momentos é poder viver outra vez 
Admirar a sorte de vencer na vida 
Mesmo em meios as dificuldades. 
Um jovem sonhador caminha apressado para o seu serviço 
Limpar tanques de jacarés 
Para ter o seu salário e poder ajudar a família 
Melhor isso do que ser mais um vagabundo nas ruas. 
A vida nos dá oportunidades para vencer 
Mostra-nos possibilidades 
E devemos nos agarrar a elas. 
Os tanques de jacarés nem sei se existem mais 
Mas o que aprendi na vida me sustenta até hoje 
E as lembranças desses dias sombrios 
São as alegrias das esperanças futuras. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 1 de julho de 2021

A essência do amor sincero

O maior desejo do seu coração 
Era poder explicar em palavras 
O sentimento tão profundo que sentia na alma 
Que fazia ficar pensando o tempo todo 
Que poderia ser tão feliz 
Como um amanhecer na primavera. 
 
Seus olhos sempre tão encantadores 
Conquistaram aquele coração sofrido 
Esquecido pelo tempo da esperança 
Despertado pelo sorriso sempre tão lindo 
Que mais parecia uma noite de luar. 
 
Só queria abrir o coração 
Para que ela entendesse o sentimento 
A essência do amor sincero que sentia 
Todas as vezes que fechava os olhos 
E a via em seus pensamentos 
Como a brisa na manhã do tempo. 
 
A expressão mais profunda do amor 
É dita no silêncio do olhar 
Quando a alma não consegue mais conter 
O desejo mais intenso do coração 
E o grito da paixão é solto no ar 
Para que chegue até os ouvidos da amada. 
 
Você é a minha maior alegria 
Deixou escapar as palavras 
E vive a povoar os meus pensamentos 
Nas noites em que tento dormir 
E vivo com você a sonhar 
Mesmo durante o dia 
Em meus pensamentos é você que está 
E esses são os melhores momentos
Da minha vida inteira. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 30 de junho de 2021

A espera

Quando o sol despertou-me pela manhã 
Fazia horas que sonhava com seus olhar. 
O sonho dissipou-se dando origem à realidade 
Que me apresentava o desejo de te amar. 
 
A espera angustiante de um novo amor 
E o medo terrível de amar outra vez 
Fizeram meu coração bater descompassado 
Na dúvida da minha pequenez. 
 
Depois de dias apaixonados pelo seu olhar 
E na incerteza do que ele revelava 
Sabendo do quanto anseio me trouxe o antigo 
Amor que sempre me enganava. 
 
A espera acabou-se no momento 
Em que sorriu o sorriso mais encantador. 
Mostrando-me que a paixão estava pronta 
E que poderia viver esse louco amor. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 29 de junho de 2021

O berço dos super-humanos

Um falcão deixa o voo rasante tocar o oceano 
Enquanto adolescentes fumam maconha na esquina 
Meninas dançam funk nas periferias 
Um criminoso é cercado pela polícia 
E corpos estão estendidos pelo chão 
Em poças de sangue e suor dos trabalhadores. 
 
Tudo está escuro na penumbra da sociedade 
Em ruas lotadas de pessoas que transitam 
Tentando esconder suas frustrações. 
 
Há gritos na vielas e lixo caído das latas 
Cães brigando por um pedaço de linguiça podre 
E olhos furtivos escondidos nos escombros 
De uma cidade envolta pelo caos 
Sem esperança de dias melhores para as crianças 
Que colocam fogo nas folhas 
E a fumaça negra sob até o céu 
Agora tão cinzento como nunca antes. 
 
O berço dos super-humanos é feito de madeira 
E o fogo se alastra até ele 
Enquanto uma tartaruga chega a praia morta 
Com um plástico que a impediu de respirar 
Do outro lado do hospital há corpos 
E no lixão também 
Crianças transitam desesperados e desprotegidos 
Do frio que assola na madrugada. 
 
De longe ainda pode-se ouvir vozes silenciadas 
Pela tragédia humana do planeta 
Que um dia parecia ser tão lindo 
E agora nem as folhas são mais verdes! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Noite

A escuridão do quarto silencioso 
Nada a me envolver 
A não ser a sua ausência tão inquietante. 
Dissipou-me o pensamento 
A busca de você na solidão imensa 
Dessa noite que insiste em não passar. 
Por mais que tento 
Não consigo fechar os olhos 
Que insistem em te procurar na imensidão. 
Seus passos, tão distantes e incertos, 
Causam a confusão na mente 
De quem amou com afeição. 
Os seus olhos são chamas 
Que surgem na escuridão 
Dessa noite triste. 
O tempo, carrasco de minha dor. 
Ofusca a minha visão 
De esquecer esse amor. 
Confuso e prospecto sem rumo 
Vago cambaleante 
Na esperança de te encontrar. 
Viajo pela noite a tua procura 
Sem sair de meu quarto 
Onde um dia esteve a dormir. 
Mas a realidade cruel e insana 
Mostra-me que aqui você não esta 
E minha noite torturante continuará. 
Quero apenas esquecer-te 
E seu calor que não tenho mais 
E esperar que o dia amanheça. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 26 de junho de 2021

O caminho de volta ao inferno


Aquele que professava uma fé inabalável 
Que não resistiu aos prazeres do mundo 
Voltou-se para o caminho da perdição 
Dando ouvidos as suas próprias concupiscências... 
Demônios terríveis amarraram o desgraçado 
Com cordas infernais 
Tiram-no da estrada para o céu 
Na qual, um dia, professou andar 
Agora o levam pela porta dos fundos 
Diretamente para o inferno. 
Cuidado com o caminho de volta ao inferno 
Veja bem se está em Cristo ou não 
A coisa mais fácil do mundo 
É enganar-nos a nós mesmos 
Pois, enganoso é o coração humano 
Quem poderá o conhecer? 
É melhor ser rigoroso consigo mesmo agora 
Do que ser amarrado com essas cordas infernais 
Se não construir sua casa sobre a Rocha 
Quando vier a tempestade será grande a sua queda 
Precisa ser constante e firme 
Para que jamais 
Possa ser levado a desviar-se 
Dos caminhos do Senhor Jesus Cristo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Quando elevei os braços para te abraçar

Meu coração emudeceu naquele momento 
Quando viu os olhos seus tão meigos 
Como as flores da primavera na manhã 
Onde meus sonhos encontraram a realidade 
Que há tanto tempo desejava silenciosamente. 
 
Olhos meigos e sedutores 
E um sorriso tão acalentador 
Como o sol nas folhas das árvores no entardecer 
Junto ao canto dos pássaros e voo das borboletas 
Que me fizeram acreditar no amor. 
 
Quando elevei os braços para te abraçar 
Tive a sensação do mais puro e elevado sentimento 
Que agora tomava conta do meu ser 
Como o som suave de um riacho na floresta 
Quando buscamos refúgio para a alma. 
 
Eu não posso negar a feliz sensação 
Que é estar no aconchego de seus braços 
Sentir o pulsar do seu coração e saber 
Que em seus pensamentos posso estar a voar 
Torna os meus dias em pura felicidade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Falta de você


Fechei os olhos 
Mas o sono não veio. 
A noite escura 
O silêncio 
A solidão 
Tortura-me. 
Ausência. 
Não imaginava que você fizesse tanta falta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Razão de amar

Foi nos seus olhos que vi 
A esperança. 
Foi no seu sorriso que encontrei 
O alento. 
Foi nos seus olhos que perdi 
O medo. 
Foi no seu sorriso 
Que vi a beleza do sonho. 
Seus olhos, 
Misteriosos, faceiros, 
Revelam o amor. 
Seu sorriso 
Espontâneo, singelo, 
Transforma o coração. 
Que razão teria melhor 
Para te amar? 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O único desejo do coração


Não era possível entender 
As razões tão forte do coração 
No desejo de não mais sofrer 
Apegou-se aquela profunda paixão. 
 
Deixou que falasse o sentimento 
Com aqueles olhos vivia a sonhar 
Sem saber explicar o pensamento 
Que fazia o seu amor aumentar. 
 
O único desejo do coração 
Era aquele amor tão singelo sentir 
Viver uma grande emoção... 
 
Deixava transparecer um sorrir 
Pela tão feliz sensação 
Que tornava alegre o seu existir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 22 de junho de 2021

As sete cabeças de um mesmo monstro

Dizem que os sábios da antiguidade 
Formularam um estudo sobre os pecados originais 
Dizendo que são sete pecados: 
Luxuria, soberba, preguiça; 
Inveja, gula; 
Avareza e ira... 
Mas, eles estavam enganados 
São apenas sete cabeças de um mesmo monstro 
Que devoram essa geração 
Num ritmo aterrador. 
O que se pode ouvir são os passos 
De pessoas em direção aos bares 
Locais de bebedeiras e zombarias ao Criador 
Uma juventude amante de prazeres 
Que não liga a mínima para Deus. 
Do ventre do monstro de sete cabeças 
Nasceram mais setenta milhões de pecados 
E todo pecado é capital. 
Há pecado no arraial? 
Há pecado entre jovens e velhos? 
Se há em mim, Senhor, 
Perdoe-me! 
Que sua graça me ajude a cortar a cabeça do monstro 
Todas elas de uma vez por todas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 21 de junho de 2021

O pequeno lenço

Um pequeno lenço está jogado no canto 
Sujo de poeira 
Marcas de lágrimas que teimosamente enxugou 
De um rosto surrado pelo tempo.
 
Onde havia ainda esperança 
Não há mais nada que possa lembrar 
A sensação nostálgica que tivera 
Nos olhos tão misteriosos que tinha 
No tempo em que sabia viver e sonhar. 
 
Nada agora faz sentido 
Onde vive a acreditar que um dia 
Poderá vê-la entrando pela porta da frente 
Com aquele sorriso tão singelo no rosto. 
 
Pega o lenço e tem a ideia de lavá-lo 
Enxugar as lembranças e esperar 
Quem sabe um dia o seu coração poderá sentir 
O alívio de uma alma feliz. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense