O passado não fica para trás,
Ele aprende o caminho de volta.
O passado é paciente.
Não grita, não força portas.
Apenas espera
Que a saudade destranque tudo.
Há memórias que começam como lembrança
E terminam como algema.
O perigo não está em recordar,
Mas em morar onde já não se vive.
O passado, quando mal resolvido,
Não é arquivo, é âncora.
Carregá-lo no peito é humano.
Arrastá-lo nos pés é prisão.
Existem dias que já acabaram,
Mas continuam acontecendo dentro de nós.
Toda nostalgia tem algo de doce
E algo de uma cela amarga.
O passado
É um excelente contador de histórias,
Mas um péssimo lugar para construir morada.
Quem vive só olhando para trás
Corre o risco de transformar
Lembranças em correntes
E o ontem em carcereiro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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