Na casa antiga da memória,
Por onde a vida recolhida
Revê, em silenciosa história,
As cinzas mornas da alegria.
A mocidade foi embora
Com seus passos de ventania,
Deixando aberta, noite afora,
A fresta tênue onde vigia
O velho rosto dos antigos dias.
A velhice encosta os olhos
Na vidraça do passado,
E encontra, entre os ferrolhos,
O tempo já despedaçado
Nos corredores do cuidado.
Há retratos sobre a mesa,
Há nomes mortos no jardim,
Há uma doce natureza
De sofrer sem saber o fim
Do que ainda vive em mim.
E a saudade, paciente chama,
Permanece acesa no peito,
Como quem guarda e ainda ama
Tudo aquilo que foi desfeito
Pelas mãos cansadas do tempo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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